domingo, 24 de maio de 2009

"Like a Rolling Stone (live)"

A sugestão musical desta semana é Bob Dylan que faz hoje 68 anos (algo que fiquei a saber ao ouvir o programa de radio da Antena 3 "Costa a Costa" hoje a ele dedicado).

musica: Like a Rolling Stone
interprete: Bob Dylan
álbum: Highway 61 Revisited, 1965

domingo, 17 de maio de 2009

Impressões [9]

Inspiração...
...procura-se com afinco!Renovação...
...aguarda-se com tranquilidade!


(fotografia e edição: Mauro Correia, Lagos 2009)

"Postcards from Italy"

A sugestão musical da semana, cá vai:

musica: Postcards from Italy
interprete: Beirut
álbum: Gulag Orkestar, 2006

Desejo a todos uma boa semana...

domingo, 10 de maio de 2009

Sugestão musical da semana


musica: Oxalá te Veja
interprete: OqueStrada
álbum: Tasca Beat, 2009


Esta música fica aqui como a sugestão musical da semana, não por me agradar particularmente, mas porque, no fim de semana passado, alguém me disse que era dedica a mim...
Só não entendi se pela estrofe: "tenho dores fechadas em caixinhas contra aqui contra ali contra cá mas que me dizem estou aqui, estamos lá (...)" ou se pela "(...) oxalá te veja a meu lado ao pé de mim ..."

Vá-se lá saber...!

NoiteBranca, a 64ª [... um velho]

Tenho-me sentido como que um trapo, um velho!
Uma espécie de velho lobo do mar que gozaria o seu merecido descanso não se desse o facto de lhe faltarem as conquistas, as (des)aventuras e as peripécias de uma longa e preenchida existência...
Estou, ou melhor, suo fisicamente débil, um espírito (ser) jovem num corpo incapaz de dar resposta e/ou aguentar as vontades, aspirações e desejos daquele que o habita...

E assim me torno precocemente num velho débil, caseiro e cada vez mais só.


Desejos de uma noite não branca e com muita animação!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Impressões [8 - no/do quarto da Martinha (na Cerca, Lagos)]






















Fotografias e edição: Mauro Correia; 3 Maio 2009, Lagos
(máquina fotográfica e janela de quarto cedidas pela Martinha)



domingo, 3 de maio de 2009

"Budapeste (sempre rock & rollar)"

A ultima sugestão live para fechar este ciclo:

música: Budapeste (sempre a rock & rollar) - ao vivo em Paredes de Coura (2007)
interprete: Mão Morta
álbum: Mutantes S21, 1992

"Cá vou eu no meu Traby
De bar em bar a aviar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar

Charro aqui charro ali
Mais um vodka p'ra atestar
Corro Peste corro Buda
Sempre a rock & rollar

As noites de Budapeste
São noites de rock & roll

P'las caves da cidade
São só bandas a tocar
Pondo tudo em alvoroço
Tudo a rock & rollar

Mulheres lindas de morrer
Mini-saias a matar
Não tem fim o reboliço
Tudo a rock & rollar

As caves de Budapeste
São caves de rock & roll

Cá vou eu no meu Traby
De bar em bar a aviar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar

Charro aqui charro ali
Mais um vodka p'ra atestar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar'

As noites de Budapeste
São noites de rock & roll"

domingo, 26 de abril de 2009

Sugestão musical da semana


musica: A Case of You (Joni Mitchell cover), live
interprete: Diana Krall
álbum: Live in Paris (DVD), 2004

domingo, 19 de abril de 2009

"Through Her Eyes"

Sugestão musical (live) da semana:

musica: Through Her Eyes
interprete: Dream Theater
álbum: Metropolis live, 2000 (DVD)



Que tenhais uma semana em cheio...
Abraços

sábado, 18 de abril de 2009

Impressões [7]

Cheguei faz pouco tempo das urgências do hospital de Lagos, onde confirmei ter uma entorse no tornozelo direito devido a um "mau jeito" que dei ontem... agora é repouso e esperar estar em condições para trabalhar 2ª feira.

Enquanto esperava para ser atendido - e a espera foi longa como é costume - entrou na sala das urgências um homem, idoso, em cadeira de rodas - guiado pela sua atenciosa e carinhosa esposa - cujo estado em pouco ou nada diferenciava de um cadáver, de um vegetal - um morto-vivo - onde apenas fui capaz de perceber a existência de vida através dos olhos... [esta realidade deixou-me enjoado, senti pena, senti-me incapaz perante a vida, a realidade do momento]... não consegui deixar de imaginar-me preso num corpo que não funcionasse, ou que tivesse deixado de o fazer, com a consciência e a lucidez própria desse (hipotético) estado... é a ideia mais assustadora que me pode surgir (e surge-me de tempos a tempos!). Gostaria que me terminassem com o calvário....

Afinal quão (des)humana é ou não a morte (assistida)?

Impressões [6 - dois frames de noite em Lagos]


Descanso dos "guerreiros" após mais uma dura semana, com chuva, de trabalho...
Fotografias por Mauro Correia, 17 Abril de 2009 (com o telemóvel)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

mar & açúcar

"Sempre me lembro de ter ouvido o mar. Da mistura com o vento nas folhas das palmeiras bravas, um vento que nunca deixa de soprar, mesmo quando nos afastamos da costa e avançamos canaviais adentro: é o ruído de fundo que acompanha a minha infância. Ouço-o agora, no mais íntimo de mim, e levo-o comigo para onde quer que vá.

(...)

"Na escuridão, penso no mar como se fosse uma pessoa humana, com todos os sentidos despertos para melhor o ouvir chegar, para melhor o receber. As vagas gigantescas cavalgam os recifes, vêm desabar na laguna e o estouro faz vibrar a terra e o ar como um caldeirão. Ouço-o, o mar mexe, respira.
(...)"

[página: 9]

"(...)

Há um cheiro acre no ar, o cheiro da seiva das canas de açúcar, da poeira, do suor dos homens. Um pouco atordoados, caminhamos corremos em direcção às casas de Tamarindo, onde chegam os carregamentos de cana. Ninguém repara em nós. Há tanta poeira nos caminhos que já estamos vermelhos dos pés à cabeça, e a nossa roupa assemelha-se a gunnies. Muitas crianças correm a nosso lado pelos caminhos, indianos, caíres, comem as canas caídas dos carros de bois. Toda a gente se encaminha para a fábrica de açucar, a fim de ver as prensas a trabalhar.
Finalmente, estamos diante dos edifícios. Sinto algum receio, pois é a primeira vez que venho aqui. Diante da alta parece caiada, detêm-se as vagonetas e os homens descarregam as canas que vão ser lançadas nos cilindros. A caldeira exala um fumo denso, arruçado, que escurece o céu e nos sufoca quando o vento o desvia na nossa direcção. Há barulho e jactos de vapor por todo o lado. Mesmo à nossa frente, vejo o grupo de homens que mete na fornalha o bagaço das canas esmagadas. Estão quase nús, como titãs, com o suor a escorrer-lhes pelas costas negras, de rostos crispados pelo calor ardente. Não dizem nada. Limitam-se a pegar no bagaço e a lança-lo no forno às braçadas, gritando de cada vez: han!
(...)

"(...) O ruído, o calor, o vapor são tais que que a cabeça me anda à roda. O suco claro escorre sobre os cilindros e vai cair nas tinas ferventes. Junto das centrifugadoras, estão as crianças. Descubro Ferdinand: está à espera, de pé diante da tina que gira lentamente enquanto a calda espessa acaba de arrefecer. Há uma forte ondulação na tina, o açucar escorre por terra, pende em cuágulos negros que rolam pelo chão coberto de folhas e de palha. As crianças acorrem aos gritos, apanham os pedaços de açucar e afastam-se para ir chupa-los ao sol.

(...)"

[página: 16 e 17]

exertos de: "O Caçador de Tesouros" (Ed. Assírio & Alvim; colecção o Imáginário: nº: 27)
por: J.M.G. le Clézio