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sábado, 22 de maio de 2010

Fim de dia para relaxar...

Num final de dia trabalho numa tentativa de relaxar...

Onde o rio Sabor beija as águas do Douro...

O vale (da Vilariça) onde me projecto como sombra que em nada perturba o equilíbrio...

Fotos e edição: Mauro Correia, 19 de Maio de 2010


domingo, 28 de março de 2010

fozcoenses

Depois de um longo período de interregno, decidi tentar reabilitar as NoitesBrancas...


(fotografias e edição: Mauro Correia, 28 de Março de 2010, Vila Nova de Foz Côa)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Rio Sabor (Felgar)

Rio Sabor, margem no Felgar, Torre de Moncorvo...
(fotografia e edição: Mauro Correia, 10 Julho '09)


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

natal...

E pronto, cá esta de novo o reboliço que é o Natal... e, por muito que o tente negar (não gosto muito desta quadra) não me passa indiferente. Portanto, e correndo o risco de cair em alguns lugares-comuns, cá vai o que deveria ser em meu entender esta quadra e os meus desejos para a mesma.


O Natal não é já, ou não deve se-lo (apenas), uma celebração e acto religioso-católico, pois, tal como eu, muitos não crentes vivem e são actuantes nesta quadra. Deve ser uma época de partilha(s) entre iguais, uma experiência sensual, dos sentidos [ai a gula!] e dos sentimentos, onde os excessos (de carga positiva) se devem permitir, incentivar e praticar. Um período em que não pode haver pudor em procurar aquele/a(s) de quem se sente vontade de ouvir a voz e que constantemente se hesita procurar com o receio de incomodar ou por falta de tempo [a mais descarada das desculpas... que tantas vezes também aplico!]...



O Natal é uma criança com a felicidade de um regalo estampada com sinceridade no rosto. É dar... e receber...





Resta-me desejar aos que visitam este espaço [e a toda a gente que nunca lerá isto] um:

FELIZ NATAL!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Merry Christmas!
Kola Christougenna!
Buon Natale!
Frohe Weihnachten!
...

E agora vou contribuir [se bem que modestamente] para o Natal...

sábado, 25 de outubro de 2008

Paisagens Fechadas (Portugal encoberto)




"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

poema por Fernando Pessoa, em: A Mensagem (TERCEIRA PARTE / O ENCOBERTO - III, QUINTO / NEVOEIRO )

Fotografias e edição por Mauro Correia

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

... memórias de um mineiro

"Tio Fim Moliceira" (Sr. Serafim Marques, 88 anos, mineiro de carvão nas minas de S. Pedro da Cova durante mais de 20 anos) durante a visita ao Museu Mineiro/Casa da Malta de S. Pedro da Cova num momento de descontracção e boa disposição fingindo conduzir a "zorra"ª que se encontra exposta no exterior do edifício...

ªEspecie de eléctrico que levava o carvão do complexo mineiro até à cidade do Porto

(fotografia e edição: Mauro Correia, Setembro de 2008)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Boas Fadas que te fadem

"... Francisco passou a acumular as funções de ajudante do padre-mestre na livraria com as de adjunto do prefeito dos cheiros, Uma ocupação que quadrava bem com os seus notáveis dons olfácticos, pois consistia em seleccionar as plantas mais bem cheirosas dos campos, para com elas fabricar umas essências aromáticas, que, na combinação certa, tinham como resultado infalível excitar os presentes a louvarem Deus com todas as forças.

(...)

"Mergulhou o jovem iniciado com entusiasmo naquela dificultosa ciência, pois coisa bem melindrosa são os cheiros, que se querem suavíssimos para encaminharem as almas em direcção a Deus e nunca intensos e esquisitos, pelo grande risco de as desviarem para a mundanidade e até, quem sabe, atearem o fogo infernal da lascívia."

por: Monteiro Cardoso
em: Boas Fadas que te fadem
(página 11); Edições Dom Quixote

Entrada em jeito de homenagem a uma Amiga.
Que te mantenhas sempre o extraordinário ser humano que és. Obrigado!
Parabéns pela tua recente conquista, poucos merecem cumprir os seus sonhos como tu, e poucos estão capacitados para o realizar do modo capaz como tu o fazes. Boa sorte para o próximo passo!

Um beijo, deste teu sempre amigo.
E as Boas fadas que te fadem... sempre.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Molde de Luz


[fotografia(s) e edição: Mauro Correia]

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

...alguém?

(fotografia e edição: Mauro Correia)

"A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.

Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.

É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?"

"A Miséria do Meu Ser",
poema por Fernando Pessoa


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

NoiteBranca, a 60ª ["redenção"]

Há dias, alguém, durante uma troca de mensagens sms, me escreveu: "diz-me uma coisa bonita!", na altura, apercebi-me, da minha falta de jeito para reagir a tal (tipo de)"pedido",. Tal acontece, muito provavelmente, devido à minha personalidade racional, por vezes demasiado rígida, e distraída [alguma falta de inteligência emocional, convenhamos], tendo acabado por responder à "requisição" de forma, talvez, um pouco desconexa.
Decidi então, redimir-me, de certo modo, publicamente, através das NoitesBrancas!

Podia ter-te escrito que és uma pessoa linda - embora já to tenha dito antes - ou então, o quanto é bom contactar contigo, para nunca mudares; como és um espirito bom, generoso e atencioso; como me agrada a tua loucura - camuflada de serenidade - serenidade também ela real em ti Seriam tudo, no entanto, lugares comuns, de uma vulgaridade - sentida, é verdade! Está dito!?
Não! Nem, tudo...
E voltei ao mesmo, porquê?! Porque, a minha dificuldade, prende-se com (entender o que deve/é ser): a coisa bonita!

Mas, então. cá vai, a minha redenção (o meu conceito de coisa bonita): se quiseres e se precisares, estarei aqui... e, se por algum acaso, eu me mostrar distraido ou ausente, agradeço que me obrigues (ou ensines) a deixar de o estar, nem que seja com dois pares de estalos!

Desejo (desta vez, a ti sobretudo) uma noite não "branca"...

sábado, 9 de agosto de 2008

(In)pressões de...

Ainda não eram 6:40 horas da manha, quando saí de casa com a mochila às costas rumo à paragem do autocarro que me iria levar à estação de caminhos de ferro.

A minha noite havia sido, como tantas outras, passada em claro, povoada por suores frios, com o corpo e a alma (entidade éterea à qual melhor se adapta o termo consciência!) num dueto sincronizado ao milímetro nos espasmos da insónia... tive alucinações – talvez aquilo a que outros chamam de sonhos (pesadelos?), mas, que no meu actual caso, melhor se assemelham a desejo! Imaginei, que na manha de hoje, o velho comboio (o vagão onde viajo data de 19....) se desviaria do seu trajecto pré-definido e me levaria a Ti, e tu sabe-lo-ias, e, estarias a aguardar a minha chegada, observando com olhos despertos o espelho de água que corre por entre esse vale cerrado e solarengo onde habitas (ou que julgo habitares!), e tal era concebível, apenas, porque havias sido Tu, em artes de alquimia, a desviar o rumo do comboio das 7:25 que partira da linha 13. O espanto no interior da locomotiva era geral, nem o maquinista escapou. Alguém, de nervos mais frágeis, entrava já, em estado de pânico e paranóia, só Eu estava sereno – e com um leve sorriso no rosto (não sou pessoa para ter um sorriso para lá do leve, há caracteres assim) pois sabia, ainda que inconscientemente, que eras Tu que estava por detrás de tal insólito acontecimento, e era tudo o que Eu queria, Tu a levares-me rumo a Ti e ao Teu refugio, por Tua iniciativa e vontade... mas, foram tudo perturbantes suores frios!

O autocarro já vai cheio, mesmo a esta hora madrugadora em pleno mês de Agosto, cheio de homens e mulheres que vivem de dignas actividades que ninguém quer. As suas faces não reflectem, já, o brilho da manha – o dia também acordou cinzento do nevoeiro, talvez por as minhas alucinações não se irem concretizar (que valor me estou a atribuir, para que o dia se mostre assim), ou, então, é porque, as manhas no Porto são mesmo assim no verão, cinzentas e abafadas.
No comboio, já tudo e todos, têm um aspecto diferente, mesmo antigo, é ainda confortável – a lamentar, apenas, o turvo e sujidade das suas janelas, que, se nos momentos iniciais da viagem ajudam a encobrir o degredo de uma paisagem urbana suja, degradada e desordenada, mais à frente, sujidade que irá dificultar o deleite da paisagem duriense (felizmente poderei abri-las!)... mas não quero falar do devir, quero manter-me fiel à impressão do agora (tal e qual um pintor impressionista, mas de lápis na mão, bloco no regaço e olhos erguidos), as pessoas têm agora um ar diferente, mais luminoso, alegre ou sereno, de quem vai em lazer a terras do Douro, visitar parentes ou a terra natal. Há conversas alegres e descontraídas, sonos calmos – embalados pelo som monótono e repetitivo do deslizar da locomotiva nos carris, que se interrompe a cada paragem numa qualquer estação e apeadeiro... parece uma realidade diferente da deixada na estação de Campanhã, uma realidade cujo ritmo é mais humano, em que até a minha alucinada escrita, de encosto à janela do comboio, não parece destoar.
A beleza de algumas das paragens e sua arquitectura é deslumbrante, e seu estado de degradação e abandono (mortos de humanidade... não-lugares) dilacerantes... quase me esqueço do desejado desvio!

Vou olhar e fruir um pouco... volto com os socalcos, o xisto, o granito, o vinhedo e o Douro que estão mais à frente... A janela está já aberta...

O Douro passa a meu lado – na realidade, sou eu quem por ele passa - sempre majestoso na sua demanda a caminho do oceano, rasgando os montes com a sua fúria e milenar paciência – parece tão calmo, deve ser fruto da sua experiência – montes onde os homens esculpiram, a muito custo e ao longo de intermináveis gerações, os socalcos, escadarias para os deuses, onde deixaram e deixam o seu próprio sangue, para desta terra extrair o néctar – que muitos, dizem ser, o dos deuses, o sangue que nas veias e artérias destes corre!
Ao nível deste Rio, que corre à minha direita, surges de novo, já não na forma de desejo de um desvio em direcção ao vale que é o teu refugio, antes, desejo de que aqui a meu lado estivesses, observando, em silêncio cúmplice com o meu, esta colossal arquitectura erguida em parceria pelo Douro e pelos homens – numa simbiose perfeitamente natural – abstraídos da gente que enche a carruagem, absorvidos na paisagem e em nós... mas, é tudo, mais uma vez, um delírio inconsistente... Tu deves estar, ainda, absorvida no sono, no rescaldo de uma noite quente de verão no vale, em que eu, serei o mais longínquo de todos os teus pensamento, dos teus sonhos (se é que destes consto!).

Os delírios começam de novo a desvanecer, a viagem é absorvente, e o destino, que não és tu, não é vil, são uns “rabiscos” milenários, pré-históricos, de uma mestria e subtileza assombrosos e numa paisagem tão magnânima quanto traiçoeira... é, o meu delírio físico, tu, a minha alucinação e desejo meta-físicos, a mais traiçoeira e real de todas as minhas (des)esperanças...!


texto e fotografia: Mauro Correia,
7 de Agosto de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

(the) Dark Side of the Moon

"Dark Side of the Moon" é para mim o melhor álbum musical de "rock" de todos os tempos, é simplesmente genial do principio ao fim, é algo que vale sobretudo pelo seu todo sem que no entanto as faixas individualizadas deixem de ser de uma qualidade excepcional... é o álbum conceptual por excelência, para ouvir (ouvir realmente) sempre...

Por este motivo decidi partilhar/colocar aqui o álbum na integra (e com as faixas ordenadas de cima para baixo) bem como o vídeo de uma delas, espero realmente que apreciem tanto quanto eu!

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(clicar no(s) play para ouvir)

álbum: (the) Dark Side of the Moon, 1973
interprete: Pink Floyd

terça-feira, 25 de março de 2008

"No Quarter" - Led Zeppelin

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Uma das minhas musicas preferidas...

musica: No Quarter
interprete: Led Zeppelin
álbum: Houses of the Holy, 1973

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Pastiche

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e cana, construídas na margem de um rio de águas transparentes que se precipitava por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas ainda não tinham nome e para as mencionar era preciso apontar com o dedo (...)"

Gabriel Garcia Márquez:
Cem Anos de Solidão, ed. Dom Quixote

Este é um dos inícios de narrativa/romance mia conhecidos de sempre... e é este o livro que me tem acompanhado nos últimos tempos... uma obra universal, notavél e grandiosa sem dúvida, a prova que a literatura "main-stream" pode também ser de qualidade incontornável e incontestável...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Peter Murphy & Trent Reznor (NIN*)



musica: Strange Kind of Love**
interprete: Peter Murphy & Trent Reznor
album: Where Darkness Doubles Where Light Pours in*** (Bootleg), 2007


Fenomenal... a simplicidade desta musica...

*NIN: Nine Inch Nails
**: musica na sua versão original: Peter Murphy - Deep, 1990
***: album gravado/tocado em pré-concertos/backstages da digressão conjunta de Peter Murphy, NIN e dos TV on the Radio

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Almada Negreiros

Ontem um amigo comparou-me a Almada (sinto a responsabilidade em demasia) um génio multifacetado da arte nacional e pelo qual nutro grande admiração...

Posto isto decidi dar uma entrada com um pequeno texto e um exemplo da obra pictórica deste autor:
(Namoro)

Canção da Saudade

«Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor.
Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.
Tu, meu amor, que nome é o teu?
Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indifferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios – as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.
Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente.»


José de Almada Negreiros
(1893 - 1970)
em: "Poesia Percussão 1"
recitado por João Negreiros sobre música de Nuno Aroso e Rui Rodrigues


ligações:
http://pt.weblog.com.pt/arquivo/cat_jose_almada_negreiros.html
http://www.vidaslusofonas.pt/almada_negreiros.htm
http://www.triplov.com/almada_negreiros/anti_dantas.htm

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Goodnight Lovers"



musica: Goodnight Lovers (ao vivo em Milão, DVD Touring the Angel, 2006)
interprete: Depeche Mode
álbum (da versão original):
Exciter, 2001

"Here, somewhere in the heart of me
There is still a part of me
That cares

And I'll, I'll still take the best you've got
Even though I'm sure it's not
The best for me

When you're born a lover
You're born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

I, I can see the danger signs
They only help to underline
Your beauty

I'm not looking for an easy ride
True happiness cannot be tried
So easily

When you're born a lover
You're born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

Like all soul sisters
And soul brothers

You can take your time
I'll be waiting in line
You don't even have to give me
The time of day

When you're born a lover
You're born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

Like all soul sisters
And soul brothers"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Cage...

(foto e edição: Mauro Correia)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Song to the Siren

"Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me?
Were you Hare when I was fox?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
Touch me not, touch me not,
Oh, come back tomorrow;
Oh my heart, oh my heart
Shies from the sorrow

I am puzzled as a newborn baby
I am troubled as the tide
Should I stand amidst the breakers?
Or should I lie with Death my bride?
Swim to me
Swim to me
Oh, come let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you"


(escrito por: Tim Buckley/Larry Beckett)
em: Robert Plant: Dreamland, 2002

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

... aldeia faminta

"(...)
Quando me aborrecia de caminhar, parava em frente duma janela e olhava, para além do vasto pátio da propriedade, a represa e o bosque de bétulas novas, despojadas de folhas, e, mais adiante, um extenso campo coberto da neve que caíra há pouco e principiava a derreter-se. Na linha do horizonte, empoleiradas numa colina, distinguia um aglomerado de isbás enegrecidas, donde partia, em fita irregular, ao longo dum alvo campo de neve, uma estrada lamacenta e suja. Era Pestrovo, a aldeia de que falava o meu anónimo correspondente.

Não fossem os corvos que, prevendo chuva ou neve, voavam crocitando por cima da represa e dos campos, não fossem as marteladas que se ouviam no barracão onde trabalhavam os carpinteiros, este pequeno mundo (que tanta agitação parecia agora encerrar) assemelhar-se-ia ao mar Morto: tudo ali era silencioso, inanimando, monótono, duma tristeza confrangedora.
(...)"

em: "A Minha Mulher", páginas 9 e 10.
Anton Tchekov; Edições Quasi