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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Porto Blue Jazz '09

Aqueles que gostam de Blues e Jazz, não percam este evento (entrada gratuita)

Dia 31 de Julho é a não perder...

http://lazer.publico.clix.pt/artigo.asp?id=236514

Aproveitemos as noites de Verão...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Tideland"

Vi o filme Tideland esta tarde e,... na verdade, não consigo decidir-me se o que vi no ecrã durante quase 2 horas foi algo genial ou repugnante... o filme é surreal, metafórico, esquizofrénico, bizarro, grotesco, visualmente lindo e arrepiante, mesquinho e pormenorizado, é onirico e capaz de provocar convulções e espamos, é uma fantasia (cruel) e fantástico., poético... e a interpretação de Jodelle Ferland (Jeliza-Rose no filme) é de uma genialidade e profissionalismo arrepiantes...

domingo, 28 de dezembro de 2008

"Blindness | (Ensaio sobre a) Cegueira"

Hoje, após o almoço, decidi-me finalmente a ir ver o filme "Blidness" de Fernando Meireles [sim eu sei que já esta em exibição há imenso tempo] baseado no romance de José Saramago "Ensaio Sobre a Cegueira", que é, na minha opinião, uma obra literária de qualidade superior em que a metáfora da (des)Humanidade* é perfeita e em que o pessoal (ser unitário e único) se confunde numa amalgama informe com o impessoal (o conjunto de pertença).

Assim que soube da rodagem do filme (ainda em 2007 julgo) fiquei com vontade de ver o resultado, a capacidade de passar a imagem(ns) vivas aquele enredo, enredo que afinal também havia imaginado aquando da leitura... a face dos personagens, o seu aspecto (estereótipos?), a sua vida antes da "cegueira branca"... e sobretudo as suas pessoas - seus nomes - pois no universo de Saramago a individualidade dos personagens não é, normalmente, obtida através de nomes, mas de características (físicas, de relação, de actividade, etc). Ou seja, tinha elevado as expectativas acerca do filme [embora sabendo que um filme não pode nunca conter "toda" a narrativa de um romance, sobretudo de um tão denso de valores, de metáforas/ficções e realidades, de alegorias, de contemporaneidade, de vida e de cada um que o lê enquanto tal e enquanto ser], e estas expectativas elevaram-se ainda mais quando Saramago após ver o filme lhe ter dado o seu aval numa perspectiva emocional [que sempre pode levar ao turvar da razão].

Então porquê ter demorado tanto tempo a decidir-me ir ver?
A confusão dos centros comerciais (onde hoje estão a maior parte das salas de cinema), e, sobretudo, as criticas acerca do fraco valor cinematográfico e de capacidade adaptativa de Ensaio sobre a Cegueira para o grande ecrã [por vezes, mesmo com consciência de tal, e sabendo da sua fraca validade para o gosto pessoal de cada um, deixamos-nos influenciar por aquilo que lemos e ouvimos], o que me levou a atrasar/resfriar a minha curiosidade e vontade... até hoje!

Para um visionamento não-turvo fui sozinho, para ser capaz de me entregar...

Antes de mais... não é um filme/livro sobre cegos, ou melhor, não é apenas (nada) isso!
O filme foi para mim causador de sentimentos muito desiguais, isto é, na prática consegue transmitir muita da mensagem (da alegoria) do romance de Saramago, é cru como este, cru no sentido de ser capaz de abordar e transmitir através dos personagens (sem nome) o melhor e o pior [expressão aqui utilizada por incapacidade de encontrar outra mais adequada, pois não procuro, nem quero, fazer aqui juízos de valor acerca do Homem e seu(s) modo(s) de estar/ser], possui opções estéticas de algum interesse (se bem que nada de inovador e inesperado para o conteúdo) e planos perfeitos [quase demasiado perfeitos para o contexto]... Saramago esta lá (sem sombra de duvida), mas é apenas Saramago que lá está, e por muito que isso (me tenha) agrade(o), o cunho mais pessoal do adaptador deixa, ou pode deixar, o espectador órfão [se bem que não completamente] de identificação pessoal com o filme... não deixando de haver emoção(ões) [nossas e dos personagens] no entanto...
Para quem não leu o romance, pode ainda parecer (durante quase todo o filme) que apenas foram foram contagiados pela cegueira branca e pela (des)humanidade os personagens aprisionados na quarentena, num caso local e não global (como realmente sucede).

Em suma, pessoalmente gostei da adaptação de Meireles [é a possível, ou uma das possíveis, para uma obra de tal valor] não me tendo desfraldado grandemente as expectativas, sendo um bom filme (entretenimento e ao mesmo tempo capaz de levantar questões) quer para quem já leu o romance, mas sobretudo para quem não leu, que em minha opinião sairá da sala com vontade de -lo para entender e conhecer a totalidade da narrativa... e, em ambos os casos com a vontade de reler e rever Ensaio Sobre a Cegueira [para perceber em definitivo se gostou e apreendeu...]

A cena mais marcante do filme para mim: a chuva com a simplicidade do momento em que os personagens procuram lavar-se/limpar-se da sua angústia fisica e mental...

A (re)ver sem dúvida!


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Embriaga-te de...

Se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que passou, a tudo o que murmura, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: “São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Com vinho, com Poesia, ou com virtude”.

Charles Baudelaire
em: Poemas em Prosa


domingo, 7 de setembro de 2008

Voyage dans la Lune, le (1902)

"Le Voyage dans la Lune", filme da autoria de Georges Méliès, realizado em 1902, sendo o primeiro filme de "ficção cientifica" da historia do cinema. Emprega uma série de tecnicas arrojadas para o cinema da época e é tido como sendo, também, o 1º filme em que empregam "efeitos especiais":

sexta-feira, 27 de junho de 2008

"Naturalismo Português" - "O Fado"

"naturalismo, fado, originalidade, típico/rural/genuíno, o ser português..." Os ideais iniciados na nossa 1ª república e que hoje se continuam a perpetuar à "boca cheia"! Bem ou mal? Não sei...

titulo - O Fado
autor - José Malhoa (1855- 1933)
Data de produção - Março de 1910 (após 11 meses de elaboração)
Tipo de suporte - Tela
Técnica - pintura a óleo
Formato - 1,51m x1,86m
local onde se encontra: Museu da Cidade, Lisboa

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Jardim das Delicias"

"O Jardim das Delicias terrenas" (triptico): Hieronymus Bosch (1450-1516) - óleo sobre madeira, 220 x 389 cm - Museu do Prado, Madrid
("O Paraíso terreno" (volante esq.) - 220 x 97 cm / "Jardim das Delicias" (painel central) - 220 x 195 cm / "O Inferno" (volante dir.) - 220 x 97 cm)

O Jardim das Delícias Terrenas (1504), representa/descreve a história do Mundo (a visão de Bosch!?) a partir da criação.

No volante esquerdo, representa o paraíso terreno, antes do pecado de Adão e Eva, antes do comer do fruto proibido...

Love-in? Amor livre?
O saborear de frutos enormes (sobretudo morangos), convívio e divertimento (prazer!) na água e em deleites eróticos de homens e mulheres nús, um ambiente idílico e onírico! Uma utopia do prazer e do belo?

No lago ao fundo, homens e mulheres tomam banho em conjunto, mas no plano do meio, os mesmos estão cuidadosamente separados uns dos outros. No pequeno lago redondo só existem mulheres e os homens montam os mais diversos tipos de amimais (mais ou menos exóticos) à sua volta. Os jogos dos “cavaleiros acrobáticos” - um saltando sobre a sua montada – sugerem que estão excitados pela presença das mulheres, uma das quais está já a sair da água. Bosch serve-se deste meio para demonstrar a atracção sexual entre homens e mulheres, e não é por acaso que o pequeno lago e a cavalgada circundante ocupam o centro do jardim, como fonte e inicio dos jogos de amor que têm lugar nas restantes áreas. Para os moralistas medievais que nunca se mostraram muito cavalheirescos neste aspecto, era sempre a mulher que seduzia o homem para o pecado e para a concupiscência e luxuria, seguindo o exemplo de Eva. Este poder maligno da mulher foi muitas vezes representado, mostrando uma mulher no centro dos admiradores masculinos. Mas nos quadros de Bosch,, os homens em vez de dançarem, montam a cavalo. Os homens e as representações físicas do pecado foram muitas mostradas em cima de variados tipos de animais. No fundo, tanto naquela, como hoje, servia ocasionalmente como a metáfora para o acto sexual.
Assim, Bosch, para dar o seu panorama do prazer carnal, na âmbito do jardim do amor, reunia os mais variados temas eróticos da Idade Média... o Jardim das delicias, no entanto, não deixa de ser uma representação espelhada da tolice humana – presente noutras obras do autor como: a Nave dos Loucos, a Morte do Avarento, o Carro de Feno, ou o Jardim do Amor e o Banho de Vénus. Mas, não devemos acreditar e aceitar que as pessoas se dedicam despreocupadamente a jogos amorosos cometendo o pecado mortal da Luxuria.
Tais cores e beleza/formas encantadoras, podem levar-nos a crer que nunca seriam utilizados para a representação de algo condenável, mas, no fim da Idade Média e inicio do Renascimento, a beleza física era muitas vezes vista como suspeita, pois aprendia-se que o pecado se apresentava ás suas vitimas com o mais atraente dos aspectos, mas que por de trás de tal beleza física e carnal se escondia muitas vezes a morte e a condenação eterna. Portanto, e não negando o carácter onírico e fantástico desta obra, Bosch mostra-nos com o Jardim das Delicias, também, um falso paraíso, cuja beleza é passageira e conduz os homens e mulheres à ruína e à condenação, tema muito comum na arte e literatura medievais.
Neste painel central não há também crianças – não cumprimento do mandamento «frutificai e multiplicai-vos» - mostrando o painel o não cumprimento do mandamento divino por parte de Adão e Eva e seus semelhantes/descendentes, mas sim a sua perversão – comido o fruto proibido.

No volante direito, o sonho erótico do Jardim, cede, perante a realidade do pesadelo. O Inferno de Bosch. Os edifícios ardem e explodem contra o fundo escuro, a agua que os circunda transforma-se em sangue, há representações de todo o tipo de formas de morrer (com dor) e ás mãos das mais variadas criaturas, a Luxuria é o pecado a castigar, mas também a preguiça, a ira, etc.


"A Criação do Mundo" (verso dos volantes do triptico do "Jardim das Delicias terrenas") - grisalha em madeira - 2220 x 195 cm

No verso dos volantes, esta representado em tons suaves de cinzento e cinzento-esverdeado, a criação do mundo (de acordo com a história da Bíblia, segundo a qual, Deus criou o mundo pela sua palavra). De uma abertura nas nuvens, no canto superior esquerdo, o Criador olha, sentado num trono, calmo. No painel em frente na sua margem superior pode ler-se a sua acção: «ipse dixit et facta sunt, ipse mandavit et creata sunt» (salmo 33,9) - «Assim como ele fala, assim é feito, como ele construiu, assim será.»

bibliografia: "A obra de pintura: Bosch", Walter Bosing; Taschen/Público, 2003

ligações: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/bosch/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hieronymus_Bosch


sábado, 14 de junho de 2008

"O triunfo da Morte"

"O triunfo da Morte", 1562; (Pieter Brueghel, o velho; c.1525-1569)
(óleo sobre painel de madeira; Museu do Prado, Madrid)

Tela interpretada como uma alegoria à peste negra, que assolava periodicamente a população europeia (séculos XIV a XVI sobretudo, se bem que com "ciclos" até ao século XVIII) da época.

Exércitos de esqueletos avançam sem parar, desde o horizonte, arrasando tudo por onde passam. Num primeiro plano desenrola-se a batalha final contra as hostes do mal, que usam tampas de caixões à guisa de escudos. O massacre é apoteótico, os homens são despejados em massa para um túnel que parece a porta do inferno (direita). Um esqueleto que monta um esfomeado cavalo percorre o campo de batalha ceifando cabeças com uma gadanha (centro), enquanto o carro dos mortos recolhe os crânios (esquerda).
Sucumbem à morte, nobres e plebeus sem distinção. No primeiro plano (da esquerda para a direita) o rei agoniza enquanto a morte lhe rouba as riquezas. Os bispos e monjas caiem, e de nada serve aos nobres cavaleiros enfrentarem-se de espada na mão. Como único sinal de esperança, o tocador e uma dama dedicam as suas últimas horas a cortejar-se amorosamente, alheios a tanta destruição(extremo direito inferior).



domingo, 8 de junho de 2008

Page & Plant

Sugestão musical da semana, em dose tripla, com dois "deuses" do (hard)rock: Jimmy Page e Robert Plant.


musica: Thank You


musica: Gallows Pole


musica: Babe I'm Gonna Leave You

(actuações retiradas do Bizarre Fest., Koln 1998)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

(a) Prostituição | Maldoror

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musica: A Prostituição
interprete: Mão Morta
álbum: Maldoror, 2008

“Fiz um pacto com a prostituição para semear a desordem nas famílias. Recordo-me da noite que precedeu esta perigosa ligação. Vi um túmulo à minha frente. Ouvi um pirilampo, tão grande como uma casa, que me disse: «Vou alumiar-te. Lê a inscrição. Não é de mim que vem esta ordem suprema.» Uma vasta luz cor de sangue, em face da qual me bateram os dentes e me caíram, inertes, os braços, espalhou-se nos horizontes. Eu encostei-me a um muro em ruínas, pois estava quase a cair, e li: «Aqui jaz um adolescente que morreu de tisica: bem sabeis porquê. Não oreis por ele.» Talvez muitos homens não tivessem tido a coragem que eu tive. Enquanto isto, veio uma bela mulher nua deitar-se-me aos pés. E eu, para ela, de rosto triste: «Podes levantar-te.» Estendi-lhe a mão com que o fratricida corta o pescoço à irmã. E disse-me o pirilampo: «Pega numa pedra e mata-a.» «Porquê?», disse-lhe eu. E ele: «Toma cuidado contigo, tu que és mais fraco, porque eu sou o mais forte. Esta chama-se Prostituição.» De lágrimas nos olhos e raiva no coração, senti nascer em mim uma força desconhecida. Peguei numa grande pedra; depois de muitos esforços, ergui-a a custo à altura do peito; coloquei-a em cima do ombro com os braços. Subi a uma montanha até ao alto; dali, esmaguei o pirilampo. A cabeça enterro-se-lhe na terra à profundidade da altura de um homem; a pedra ressaltou até à altura de seis igrejas. Foi cair num lago, cujas águas baixaram por um instante, revirando-se, cavando um imenso cone invertido. A calma voltou à superfície; a luz de sangue deixou de brilhar. «Oh! - gritou a bela mulher nua -, que fizeste?» E eu para ela: «Prefiro-te a ele, porque tenho piedade dos infelizes. Não tens culpa por a justiça eterna te ter criado.» E ela: «Virá o dia em que os homens me farão justiça; nada mais te digo. Deixa-me partir, para ir esconder no fundo do mar a minha tristeza infinita. Só tu e os monstros repelentes que fervilham nesses negros abismos me não desprezam. Tu és bom. Adeus, a ti que me deste amor!» E eu para ela: «Adeus! Mais uma vez: adeus! Hei-de amar-te sempre!... A partir de hoje abandono a virtude.» Eis por que, ó povos, quando ouvirdes o vento do Inverno gemer por sobre o mar e junto às praias, ou por cima de grandes cidades que há muito vestiram luto por mim, ou através das frias regiões polares, dizei: «Não é o espírito de Deus que passa: é apenas o agudo suspiro da prostituição, unidos aos gemidos graves do Montevidense.» Filhos, sou eu que vo-lo digo. Então, cheios de misericórdia, ajoelhai-vos; e que os homens, mais numerosos que os piolhos, façam longas orações.”

por: Isidore Ducasse (Conde de Lautréamont), "Os Cantos de Maldoror (canto 1)"; paginas 27 e 28. Edições Quasi

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Almada Negreiros

Ontem um amigo comparou-me a Almada (sinto a responsabilidade em demasia) um génio multifacetado da arte nacional e pelo qual nutro grande admiração...

Posto isto decidi dar uma entrada com um pequeno texto e um exemplo da obra pictórica deste autor:
(Namoro)

Canção da Saudade

«Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor.
Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.
Tu, meu amor, que nome é o teu?
Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indifferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios – as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.
Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente.»


José de Almada Negreiros
(1893 - 1970)
em: "Poesia Percussão 1"
recitado por João Negreiros sobre música de Nuno Aroso e Rui Rodrigues


ligações:
http://pt.weblog.com.pt/arquivo/cat_jose_almada_negreiros.html
http://www.vidaslusofonas.pt/almada_negreiros.htm
http://www.triplov.com/almada_negreiros/anti_dantas.htm

sábado, 26 de janeiro de 2008

NoiteBranca, a 34ª [os Pré-Rafaelitas]

A Irmandade Pré-Rafaelita (Pre-Raphaelite Brotherhood ou PRB em inglês), também Fraternidade Pré-Rafaelita ou, simplesmente, Pré-Rafaelitas, foi um grupo artístico fundado em Inglaterra em 1848 por Dante Gabriel Rossetti, William Holman Hunt e John Everett Millais e dedicado principlamente à pintura. Este grupo, organizado como uma confraria medieval, surge como reacção à arte académica inglesa que seguia os moldes e cânones dos artistas clássicos do Renascimento. Inseridos no espírito revivalista romântico da época, os pré-rafaelitas desejam devolver à arte a sua pureza e honestidade anteriores, que consideram existir na arte medieval do Gótico final e Renascimento inicial (Proto-Renascimento). Ao auto-denominarem-se de pré-rafaelitas realçam o facto de se inspirarem na arte anterior a Rafael, artista que tanto influencia a academia inglesa e que é consequentemente criticado pelo grupo. A influenciar este grupo vão estar também os Nazarenos, uma confraria de pintores alemães que, no início do século XIX, se estabelece em Roma e tem como objectivo repor a arte paleocristã.

Embora tratando-se de um grupo de artistas unidos em prol do mesmo objectivo, este nunca se revelou homogéneo nas suas produções podendo-se observar uma ramificação em dois géneros diferentes dentro do movimento: por um lado alguns destes artistas (Millais, Holman Hunt) vão dedicar-se aos temas e problemas da sociedade actual cada vez mais materialista, utilizando para isso uma representação realista; por outro lado outros artistas (Rossetti, Edward Burne-Jones) vão ligar-se mais a temas medievais inspirados em Dante (cujo nome inspirou o primeiro nome de Rossetti) na sua Divina Comédia, em lendas como a do Rei Artur, cenas religiosas, carregando as suas composições de misticismo numa versão mais visionária. Pode-se afirmar que esta segunda variante dominou o movimento.

Independentemente do tema retratado, torna-se essencial que a obra de arte transmita uma ideia autêntica, fruto da individualidade do artista. Este não tem de se submeter a regras rígidas e castradoras de representação, deve antes ser livre na sua criação artística. A sua arte vai-se opor ao método tradicional de representação da natureza prescindindo do trabalho de atelier e recusando a normalidade das composições académicas (ex: eliminando-se a linha do horizonte).

O artista aspira à beleza poética, à representação além da realidade visível: trabalha-se com a matéria da alma e a espiritualidade. Esta representação do “sonho” vai-se traduzir formalmente na busca da harmonia e equilíbrio entre os elementos. A pintura com base no desenho vai resultar em imagens quase ornamentais repletas de pormenores e detalhes fotográficos, onde o traçado fluido e gráfico busca realçar aspectos estéticos, independentemente da sua semelhança ou não com a realidade. Também na aplicação da cor se vão quebrar laços com as técnicas tradicionais surgindo agora cores luminosas, esmaltadas, que ajudam à sensibilidade estética de pinturas poéticas onde o romance e o erotismo, unidos a uma certa inocência, têm lugar de destaque.

O grupo pré-rafaelita vai ser composto maioritariamente por artistas saídos das academias reais que têm o objectivo comum de repor o conceito de arte pela arte, renegando a frivolidade da arte académica. Considerando-se a si próprios como um movimento de reforma, embora sem ser considerado uma vanguarda na totalidade por fazer uso do historicismo e da representação da natureza pela observação, os pré-rafaelistas lançam um periódico denominado The Germ para promover as suas ideias.

Reunem-se no seu currículo algumas exposições geradoras de controvérsia pelo novo conceito de composição e tratamento de temas religiosos, assim como sucessos posteriores, quando seguidores do grupo, produzindo cada vez mais ao gosto vitoriano da época, acabam por vender obras a preços bem elevados.

Para além de Ford Madox Brown, que preferiu trabalhar como independente, mas se manteve em contacto com o grupo, outros artistas vão ser influenciados pelo estilo linear dos pré-rafaelitas, como é o caso de William Morris. Este movimento será de extrema importância para a arte dos finais do século XIX e despontar do século XX, nomeadamente para a Arte Nova e o Simbolismo.

A partir de 1851 John Ruskin vai ser um defensor inicial e patrono da Irmandade Pré-Rafaelita e os seus escritos vão surtir grande influência nas idéias medievalistas do grupo.


Principais nomes/artistas Pré-Rafaelitas:

Fundadores do movimento:

Artistas e figuras relacionadas com o movimento:



Índice das estampas (por ordem de surgimento):

- The Scapegoat, óleo sobre tela, 1854 - William Holman Hunt;
- Cristo em casa dos pais, 1850, Tate Gallery, Londres – John Everett Millais;
- Ilustração para capa de Goblin Market and Other Poems (1862), primeiro de poemas de Christina Rossetti, sua irmã – Dante Gabriel Rossetti;
- A natureza do Gótico (The Nature of Gothic) por John Ruskin, impresso por Kelmscott Press. Primeira página de texto, com ornamentações. Design de William Morris.

- "Virgilia bewailing the absence of Coriolanus" em Strawberry Hill, Londres - Thomas Woolner


outros links:

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Dante Gabriel Rossetti

Dante Gabriel Rossetti (Londres, 12 de Maio de 1828 — Birchington-on-Sea, Kent, 10 de Abril de 1882), de nome verdadeiro Gabriel Charles Dante Rossetti, foi um poeta, ilustrador e pintor inglês de origem italiana. Devido à sua preferência pela poesia medieval e em especial pela obra de Dante, Rossetti muda a ordem dos seus nomes e passa a usar Dante em primeiro lugar.
Fundou, juntamente com John Everett Millais e William Holman Hunt, em 1848, a Irmandade Pré-Rafaelita, um grupo artístico entre o espírito revivalista do romantismo e as novas vanguardas do século XIX.
Rossetti também escrevia poemas para seus quadros, como "Astarte Syraica". Como designer, trabalhou com William Morris (fundador do movimento Arts & Crafts - Artes e Ofícios) para produzir imagens para vitrais e decorações.
Como ilustrador, Rossetti produziu poucas trabalhos, mas que tiveram influência duradoura sobre ilustradores do século XIX e XX. Ele fez ilustrações para Moxon Tennyson, Allingham e para os livros de poesia de sua irmã Christina Rossetti.



Beata Beatrix, 1863
(em cima à esquerda: Bottles ("frascos"), 1848)
(em cima à direita: Auto-retracto, 1847)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Gaudi, Barcelona

Aqueles que me conhecem, melhor ou pior, sabem da minha Paixão pela Arquitectura de Antoni Gaudi, e por consequência pela cidade de Barcelona - se pudesse ia para lá já hoje, infelizmente é viagem que ainda não consegui realizar.
Posto isto, decidi postar algo acerca do Artista, ou melhor fazer uma espécie de compilação de links onde se possa ler e ver a vida e obra do mesmo...
(quem tiver oportunidade folheie o livro: "Gaudi, obra arquitectónica completa", Rainer Zerbst - Taschen: ISBN. 3-8228-4225-7)

" Antoni Placid Gaudí i Cornet (Reus ou Riudoms, 25 de junho de 1852Barcelona, 10 de junho de 1926) foi um arquitecto catalão, um dos símbolos da cidade de Barcelona, onde se educou e passou grande parte da vida. Aparece como um arquitecto de novas concepções plásticas ligado ao modernismo catalão (a variante local da art nouveau).

Vida e obra

Seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica (refletindo o revivalismo do século XIX) e da arquitetura catalã tradicional. Nos primeiros anos de sua carreira, Gaudí foi fortemente influenciado pelo arquiteto francês Eugene Viollet-le-Duc, responsável em seu país por promover o retorno às formas góticas da arquitetura.

Com o tempo, entretanto, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas complexas. Algumas de suas obras-primas, mais notavelmente o Templo Expiatório da Sagrada Família possuem um poder quase alucinatório.

Gaudí é conhecido por fazer extenso uso do arco parabólico catenário, uma das formas mais comuns na natureza. Para tanto, possuía um método de trabalho incomum para a época, utilizando-se de modelos tridimensionais em escala moldados pela gravidade (Gaudí usava correntes metálicas presas pelas extremidades: quando elas ficavam estáveis, ele copiava a forma e reproduzia-as ao contrário, formando suas conhecidas cúpulas catenárias). Também se utilizou da técnica catalã tradicional do trencadis, que consiste de usar peças cerâmicas quebradas para compor superfícies.

O templo da Sagrada Família, considerada a obra-prima de Gaudí
O templo da Sagrada Família, considerada a obra-prima de Gaudí

Ridicularizado por seus contemporâneos, Gaudí encontrou no empresário Eusebi Güell o parceiro e cliente ideal, tendo sido praticamente seu mecenas.

Politicamente, Gaudí foi um fervoroso nacionalista catalão (ele foi certa vez preso por falar em catalão em uma situação considerada ilegal pelas autoridades). Em seus últimos anos, devotou-se exclusivamente à religião católica e a construção da Sagrada Família (obra nunca concluída).

Antoni Gaudí trabalhou essencialmente em Barcelona, a sua terra natal, onde havia estudado arquitectura. Originário de uma família não muito abastada, Gaudí tendeu para a procura do luxo durante a juventude; no entanto na idade adulta e no final da vida essa sua tendência diluiu-se por completo. Quando jovem aderiu ao Movimento Nacionalista da Catalunha e assumiu algumas posições críticas face à igreja; no final da sua vida essa faceta desapareceu também. Gaudí nunca se casou.

Em Barcelona a sua arquitectura assume foros de excepção, num ambiente essencialmente funcionalista de uma cidade de desenvolvimento industrial. Gaudí deixou-se influenciar por inúmeras tendências, não tendo nunca dedicado a sua arquitectura à tentativa de cópia de um estilo determinado. Uma das mais fortes influências que recebeu foi a de Viollet-le-Duc através do qual conheceu parte do seu gótico inspirador.

Estilo

Uma primeira fase que se pode identificar na arquitectura de Gaudí poderá ser chamada de “mourisca” uma vez que o arquitecto buscou inspiração naquele tipo de construções: as formas, as cores, os materiais, tudo aponta na mesma direcção.

Outra fase importante da obra de Gaudí foi aquela que decorreu sob o mecenato de Güell. Este rico habitante de Barcelona era o retrato do industrial bem sucedido. A sua casa estava aberta aos artistas e Gaudí foi também acolhido e aí contactou com a chamada “Arte Nova”, que viria a usar mais tarde. As encomendas de Güell a Gaudí montam a cinco obras de arquietctura.

Uma outra fase identificável na obra de Gaudí é o que se pode classificar de período “gótico”. Gaudí utilizará os princípios deste estilo, bem como algumas das suas formas mais típicas; no entanto o gótico em Gaudí manifestar-se-á também em inovações ousadas, como são, por exemplo, os seus arcos parabólicos.

Já arquitecto de créditos firmados, Gaudí buscou um estilo próprio e se quisermos citar exemplos desse estilo as casas Batló e Milá serão certamente as que nos acudirão ao espírito. De tal forma ousadas eram essas construções que o público de Barcelona, apesar da estima e do prestígio de Gaudí, não deixou de as alcunhar e de as considerar quase aberrantes.

A obra de Gaudí por excelência foi, no entanto, o templo expiatório da Sagrada Família, obra a que dedicou uma parte importante da sua vida e em que trabalhou aturadamente nos seus últimos 12 anos de existência. Está em curso um movimento em prol da beatificação de Gaudí pela Igreja Católica, promovido desde 1992 por uma associação secular.

Principais trabalhos

Em ordem cronológica:

em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaudi

As obras: http://pt.wikipedia.org/wiki/Obras_de_Antoni_Gaud%C3%AD

outro sitio de interesse: http://www.sergiosakall.com.br/artistas/personalidade_gaudi.htm