"Claro que essas pessoas não me conhecem, mas eu sim. Conheço-as intimamente; quase lhes decorei as fisionomias - e regozijo-me quando estão alegres, angustio-me quando as vejo tristes. (...)" em: Noites Brancas, F. Dostoievski
domingo, 29 de maio de 2011
acto e face de devoção
sexta-feira, 28 de maio de 2010
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
work...
(fotografia por: André Rolo)
quinta-feira, 16 de abril de 2009
NoiteBranca, a 63ª [handicap e/ou assalto de dúvida]
Este inicio tem sido um misto de dificuldades e benesses. A benesse, o ter enviado currículos em finais de Dezembro (2008) e ter sido contactado para colaborar em trabalhos logo no dia 2 de Janeiro e desde então continuo a colaborar com a mesma empresa (Dryas Arqueologia lda.) sem ter tido ainda a necessidade de voltar a procurar (algo que colegas meus continuam ainda a fazer, já desesperadamente, sem que nada lhes surja!) ou ficado "desempregado". Estarão a gostar do meu trabalho? Espero que sim, pois aqui tenho aprendido bastante (os metodos de trabalho e de registo são louváveis no contexto real daquilo que é a arqueologia de emergência em Portugal) e o ambiente (as possoas) é bom... mas, há sempre um mas para mim, tenho estado a trabalhar (trabalho muitas das vezes duro e à mercê do clima) em locais no minimo a 500 kms de casa e sinto, a cada dia que passa, que não tenho perfil para uma vida nómada, sou um tipo de hábitos e que necessita de "almofadas" para não entrar em atitudes separatistas de isolamento, em depressão (posso mesmo, sem me dar conta de tal na maior parte das vezes, tornar a minha antisocialidade em atitudes "agressivas") - espero a breve trexo conseguir superar este meu handicap...
A preocupação assalta-me cada dia mais violentamente, tenho eu perfil para a Arqueologia (ser arqueólogo)?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Arqueologia - Tempo - Espaço
Assumindo então esta(s) relação(ões) como constantes e indissociáveis, isto é, que em última instância, ou mesmo única, a Arqueologia (ou Arqueologias?!) é tempo-espaço / espaço-tempo, que é então a relação de grandeza e/ou de preponderância de um e de outro na prática e na vivência desta ciência (social e humana, mas também física, química e numérica) multidisciplinar?
Comecemos então pela procura de definir, na medida do possível e mediante as limitações do autor desta reflexão, Tempo e Espaço na/da arqueologia e na concreta realização da mesma.
O Tempo da/na arqueologia pode, numa primeira impressão, ser definido como o tempo do estudo de passados mais ou menos longínquos, desde a Pré-história até ao passado recente… mas, isto é demasiado redutor e falacioso, pois o tempo arqueológico é também, e talvez sobretudo, o do Presente, aquele em que o estudo arqueológico tem lugar, aquele em que a leitura e interpretação das evidencias arqueológicas são realizadas pelo Arqueólogo (segundo as suas convicções, acções, princípios, objectivos, etc.) perante os seus pares e perante a sociedade presente, sendo portanto tempos e não tempo, em que um tempo passado é interpretado à luz de um tempo presente e, ainda, passível de ser reinterpretado num tempo futuro, isto porque em arqueologia há que ter a consciência que lidamos com verdades relativas e restritas ao(s) momento(s) da sua concepção.
Aconteceu no paragrafo anterior, com plena consciência por parte do autor de tal facto, que na tentativa de circunscrever o conceito de tempo arqueológico tenhamos caído num dos espaços da realidade da actividade arqueológica: o Arqueólogo!
Este é, incontornavelmente, um dos principais actores do(s) espaço(s) arqueológicos, mas não o único evidentemente, e nem seque o primeiro no tempo (na cronologia) espacial (físico) do acontecimento e do saber arqueológicos.
O primeiro espaço é, precisamente, o da acção acontecida (acção antropológica – humana) e dos registos materiais por esta acção (momento(s)) preservados (ruína/estruturas positivas e/ou negativas, fragmentos cerâmicos, líticos, osteológicos, etc). O segundo espaço é o da intervenção arqueológica (escavação), seja ela com carácter de emergência ou de investigação académica, onde através da exumação da materialidade que restou (sempre uma ínfima parte da que existiu, o que trunca realidades) e do registo (o mais cuidado e exaustivo possível – assim se espera pois a intervenção arqueológica é irreversível por natureza) momento em que o arqueólogo e a sua equipa, através do seu conhecimento e saberes (aqui conhecimento e saber são eles mesmos espaços mas de características metafísicas) começam a esboçar a (re)criação do espaço-tempo que havia sido o da materialidade e das evidencias antes da sua exumação, espaço-tempo este que ganha forma (se bem que sempre com consciência da sua relatividade) no espaço (-tempo) dos estudos de gabinete, nas análises e caracterização das evidencias…
Pode-se então concluir pelo que até aqui foi exposto que Tempo e Espaço são de valor e valência equivalente da/na prática arqueológica, não sendo também passíveis de estancar um do outro? Sou peremptório a afirmar que sim!
E no que à escala de ambos diz respeito, Espaço-Tempo arqueológicos serão de uma vastidão e amplitude tais capazes de abarcar no seio desta ciência tempo e espaços do(s) passado(s), do agora e do devir (que virá a tornar-se Presente e Passado)? Julgo que tal é uma combinação inconcebível (megalómana) e até potencialmente descredibilizadora para a Arqueologia, preferindo crer que o espaço-tempo / tempo-espaço do conhecimento arqueológico são limitados ao do seu Presente sócio-cultural e ao dos indivíduos intervenientes na (re)criação deste(s) saber(es), cuja factualidade, deve ser, como já anteriormente referido, assumida como relativa e restrita às convicções, moral, valores, técnicas, tecnologias e sociedade do presente (sublinhando e/ou retorquindo estas premissas e quesitos), e, esperando-se que seja capaz de a esta mesma sociedade oferecer algo trabalhando e contribuindo activamente para a sua melhoria a nível cultural social e mesmo económico, não se refugiando num discurso “caro” por debaixo de um chapéu de linguagem meramente elitista (cientifica?!) que a torne de tal modo fechada que deixa mesmo de ser ciência (social e humana) correndo o risco de tornar-se num placebo e num recreio (pseudo)intelectual, uma entidade morta e (ultra)passada no tempo e no espaço humanos…
quantos sou?
(...)" F. Pessoa
fonte da imagem: http://www.smoothware.com/danny/hourglass.jpg
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Em Serpa [parte 1]
É o meu quarto dia em Serpa. Esta um frio desgraçado, o trabalho é duro e a um ritmo estonteante... felizmente já estão ultrapassados os problemas de alojamento dos primeiros dias e hoje já irá dar para jantar a horas decentes! Ainda não "vi" a cidade: durante o dia trabalho e durante a noite estou demasiado cansado... enfim... abraços!sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Xisto / Gravura na Vermelhosa
Cavaleiro/Guerreiro (esquemático, típico da arte da I. Ferro)mais rochas da Vermelhosa aqui
Parede de xisto (sua clivagem/corte natural geométricos), parafraseando um colega: há xisto muito estranho!sexta-feira, 3 de outubro de 2008
... memórias de um mineiro
"Tio Fim Moliceira" (Sr. Serafim Marques, 88 anos, mineiro de carvão nas minas de S. Pedro da Cova durante mais de 20 anos) durante a visita ao Museu Mineiro/Casa da Malta de S. Pedro da Cova num momento de descontracção e boa disposição fingindo conduzir a "zorra"ª que se encontra exposta no exterior do edifício...ªEspecie de eléctrico que levava o carvão do complexo mineiro até à cidade do Porto
(fotografia e edição: Mauro Correia, Setembro de 2008)
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Cavalete | arqueologia indústrial
É desolador olhar o estado de abandono e degradação deste testemunho (um dos poucos ainda em pé) da actividade mineira em S.Pedro da Cova, aquela que foi durante décadas a actividade impulsionadora da região.
Irónico, em meu entender, que o poço de S.Vicente seja referido como o "ex-libris" da vila... vendo o seu estado ninguém diria...
(foto e edição: Mauro Correia)
domingo, 27 de julho de 2008
Tomar: muito trabalho e pouco lazer
Faz hoje precisamente uma semana que estou na cidade de Tomar, a cidade é lindíssima e vale bem uma visita de fim de semana (sem bem que hajam partes do centro histórico que estão bastante degradadas), mas como cá estou em trabalho não tive ainda grande tempo e/ou forças para aprofundar melhor a minha visita, os meus "tours", pois o horário e condições de trabalho são muito exigentes - 10 horas e meia a escavar ao sol e em posições muitas das vezes pouco confortáveis - e vai ser isto a minha vida a partir de agora? è isto a vida de arqueólogo? - espero que não seja só!A escavação decorre na necrópole/cemitério que data do período medieval (século XII) ao periodo Moderno (século XVIII) da igreja de Sta. Maria do Olival - muito próximo do cento histórico - e a intervenção arqueológica enquadra-se no âmbito do programa de reabilitação urbana (POLIS de Tomar) da parte histórica e ribeirinha de Tomar, no caso da área em questão do açude, mercado e construção de uma nova ponte sobre o rio Nabão.
O cemitério possui uma área enorme, diz-se ser, talvez, o maior da Península Ibérica para o período cronológico em questão a ser escavado até hoje... em relação ao modo como esta a ser levada a cabo a intervenção arqueológica darei posteriormente uma entrada em simultâneo aqui e no Arkstratum.
Deixo agora duas fotos de trabalho: a 1ª (apenas um pormenor) referente ao enterramento que escavei no meu primeiro dia de trabalho, em que as ossadas em bastante mau estado de uma jovem adulta, tinham como espólio funerário dois anéis e uma pulseira em bronze, uma moeda e um alfinete para prender o sudário/mortalha funerária também em bronze, e duas outras pulseiras: uma em vidro (apenas cerca de 1/4 foi encontrado) e a outra constituída por cerca de 30 contas em azeviche de cor negra e pérola, este tipo de pulseira não tinha ainda surgido em enhum dos cerca de 1000 enterramentos já escavados: a 2ª fotografia é já de um outro enterramento, este com as ossadas já em melhor estado de conservação, que não apresentava qualquer espólio funerário/votivo e que tem à esquerda um craneo de outro individuo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008
Arqueologia Experimental
quarta-feira, 19 de março de 2008
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Pontapé no Português
Gravuras Do Côa
Foi apenas no passado mês de Setembro que visitei pela 1ª vez alguns dos núcleos com Gravuras Paleolítico Superior (cerca de 25000 até 10000 anos a.C.) de Vila Nova de Foz Côa, e devo dizer que superou todas as minhas expectativas... o traço é por norma lindíssimo e de uma leveza e subtileza indescritíveis.(pormenor da parte inferior - cavalo(s) e égua - da Rocha 4 do Núcleo da Penascosa)
sábado, 20 de outubro de 2007
"Arqueologia", em Portugal
Custa-me, mas a realidade da arqueologia em Portugal é negra... senão veja-se este video (http://www.youtube.com/watch?v=N3EOROZI9Sk), em que estudantes de ensino superior "trabalham" do modo que se vê... e o "investigador" afirma do alto do seu superior "intlecto": «é um mosaico!»
Escavar como deve ser e fazer um registo serio deve estar muito alem das capacidades destes "arqueologos"....
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
"On the Road..."
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
FLUP, ou a instituição do “neo-kafkianismo”
Sinto-me um cidadão desrespeitado pelos serviços públicos – sim aqueles que todos pagamos e de que somos “patrões”, que servem para nos servir.
Passo a explicar: sou aluno da Fac. Letras da Unv. Porto (vulgo FLUP) – ou como eu simpaticamente a apelido “circo” – e circo porque? Porque dentro deste estabelecimento se passam as situações mais idiotas, desrespeitosas e incoerentes que se possa imaginar…
Embora já nada me surpreenda vindo desta “instituição” – a competência e boa qualidade de serviços (desde a qualidade do ensino, passando pelos serviços como secretarias, bares e cantina, departamentos, biblioteca…etc. terminando numa fabulosa associação de estudantes) são a imagem de marca… ou então não – o ultimo acontecimento prende-se com as inscrições no novo ano lectivo. Estas inscrições tinham o inicio previsto para o dia de hoje (3 Setembro) via web ou então dirigindo-nos aos serviços académicos no edifico da faculdade… claro esta deu barraca.
As inscrições via Internet não estão ainda disponíveis, estariam segundo indicação no site da FLUP (já um 1º aviso de “problemas técnicos”) disponíveis ao final da tarde [não sei que hora concreta é o “final da tarde”!], e oohh surpresa ao “final da tarde” novo aviso: “inscrições disponíveis a partir do dia 4 (amanha) ás
Mas… esperem há mais!!! [ou julgavam que isto da FLUP era assunto tão básico/banal e sem sabor), este ano vai dar-se a integração em”Bolonha” [sim tão tarde!] e feita à pressa e encima do joelho…. Como tal, idiotice e barracada pela certa…
Não conhecendo o panorama dos restantes cursos do “estabelecimento”, na licenciatura de Arqueologia, o panorama da mudança (é mais uma espécie de pilling… que correu mal) é digno figurar entre a literatura do incoerente e do absurdo… se Jaroslav Hasek tivesse tido conhecimento desta ilustre instituição não teria certamente escrito “O Valente Soldado Chveik”, teria isso sim as absurdas peripécias de: “Um discente (valente) na FLUP”… mas vamos lá então à descrição da comédia: muda o nome da licenciatura, mudam o nº de anos para a terminar de 4 para 3, mudam os nomes das cadeiras – mantendo os «conteúdos» [sim ás aspas indicam sarcasmo] e os docentes – reduzem a nada a pouca componente pratica do curso [claramente arqueologia não necessita de uma componente pratica… enfim, palhaços], e reduzem também as possibilidades de realização e do nº de cadeiras de opção (embora no plano do curso elas sejam em numero e teor bastante apelativo… teoria e pratica são dispares), alunos a transitarem de regime a meio do curso [que é o meu caso] com processos de equivalências ainda incompreensíveis. Mas estas incoerências eram aquelas já esperadas. As novas surgiram nos dias de ontem e de hoje, passo a explicar: com a integração e “Bolonha” são exigidas uma maior componente de trabalho e investigação por parte dos alunos, bem como uma presença/frequência assídua mas aulas (75% no caso do meu curso) num regime vulgarmente chamado de avaliação continua… em arqueologia tal regime incorre no risco de se tornar num “neo-kafakianismo” devido ao absurdo do seu estado actual: começo pelos horários, em que os horários das poucas cadeiras optativas que comporta o curso são os mesmos das cadeiras base do curso (isto pelo menos no caso do meu ano, o 3º), ou seja, tendo que estar presente em 75% das aulas e tendo as diferentes cadeiras no mesmo dia e hora, terei ou que me multiplicar (ao estilo “dragon ball”) acho que não sou capaz… ou então arranjar um clone (não sabia que tal já era permitido!), pois senão estou automaticamente reprovado. A questão ganha contornos ainda mais ridículos quando ao ler o programa das disciplinas que irei ter de frequentar ao longo do ano lectivo, terem com única componente de avaliação, ou seja, a totalidade da aprovação, dependente de um…. Exame final (de 2horas), então onde esta a investigação e a orientação e proximidade dos docentes requeridas e tão empoladas como uma das inovações e melhoramentos obtidos com “Bolonha”? Nah, para quê… o que importa é prender por obrigação os alunos nas aulas (aulas sem conteúdo na maior parte das vezes e em que se ouve “lavares de roupa suja”) pois os senhores doutores estavam a ficar sem uma plateia de “carneiros ouvintes e mudos” – sim pois aluno não deve intervir/interagir com o processo de conhecimento, deve sim ouvir e papagear - e o seu ego devia estar a ressentir-se… coitados!
Ufffff… estou cansado desta FLUP… absurdo e incompetência em excesso são duma monotonia…







