"Claro que essas pessoas não me conhecem, mas eu sim. Conheço-as intimamente; quase lhes decorei as fisionomias - e regozijo-me quando estão alegres, angustio-me quando as vejo tristes. (...)" em: Noites Brancas, F. Dostoievski
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
domingo, 20 de março de 2011
ao ritmo dos tempos (século XXI)
Esta noite o objecto de desejo ignorou-me, minto, rejeitou-me.
Esta noite senti-me o mais frágil dos seres.
Esta madrugada quis morrer, estar não faz sentido, a rejeição e a indiferença corroem e o desejo é não correspondido.
Esta madrugada não tive coragem de morrer, refugiei-me na solidão e numa garrafa de bom vinho.
Esta madrugada sofri.
Esta manha desejo esquecer, mas o desejo é ainda muito intenso.
Esta manha continuo sozinho, é o único modo que me sinto capaz de ser.
Esta manha vi pela janela apaixonei-me e esqueci tudo o resto.
sábado, 12 de junho de 2010
abandono e repouso
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
mundo a passar e a vida a correr…
Debruçado sobre um qualquer alpendre de um espaço público, numa qualquer esplanada de um qualquer sitio, assistir a existência de-cima que nem um voyeur… sedento de ser-parte…
E assim decorre à frente dos olhos a rotina e o lazer… a mãe que (per)segue em passo acelerado a criança que foge e se esgueira por entre as dezenas de desconhecidos, o jovem que tenta, disfarçadamente, seduzir e dar a mão à rapariga de cabelos escuros que o acompanha, a mulher, bela, que olha no infinito com uma expressão perdida e introspectiva e que é observada, de soslaio e com desejo, pela maior parte dos indivíduos do sexo masculino… o carteirista, ou pelo menos isso aparenta ser, que procura sorrateira e despercebidamente sacar algo dos múltiplos e coloridos sacos de compras da mulher de aspecto doente… o carinho entre um casal de idosos, as mulheres da limpeza com o seu uniforme inconfundível, o segurança que nada observa e a atitude hediondo de dois indivíduos que julgam e riem abertamente de tudo e todos, pelos seus limitados critérios, decadentes, débeis e grotescos… e mais, muito mais acontece… tudo fervilha de ritmo… e ninguém atenta a nada que não si mesmo…
Criatura estranha, esta que observa, sem interferir, no entanto nada garantindo que não esta também a ser observada ou no mínimo pressentida… mas que quer afinal? Fazer parte deste viver-para-dentro-de-si-mesmo que observa e regista? Existir… ser… viver...
Acorda(r)!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
NoiteBranca, a 63ª [handicap e/ou assalto de dúvida]
Este inicio tem sido um misto de dificuldades e benesses. A benesse, o ter enviado currículos em finais de Dezembro (2008) e ter sido contactado para colaborar em trabalhos logo no dia 2 de Janeiro e desde então continuo a colaborar com a mesma empresa (Dryas Arqueologia lda.) sem ter tido ainda a necessidade de voltar a procurar (algo que colegas meus continuam ainda a fazer, já desesperadamente, sem que nada lhes surja!) ou ficado "desempregado". Estarão a gostar do meu trabalho? Espero que sim, pois aqui tenho aprendido bastante (os metodos de trabalho e de registo são louváveis no contexto real daquilo que é a arqueologia de emergência em Portugal) e o ambiente (as possoas) é bom... mas, há sempre um mas para mim, tenho estado a trabalhar (trabalho muitas das vezes duro e à mercê do clima) em locais no minimo a 500 kms de casa e sinto, a cada dia que passa, que não tenho perfil para uma vida nómada, sou um tipo de hábitos e que necessita de "almofadas" para não entrar em atitudes separatistas de isolamento, em depressão (posso mesmo, sem me dar conta de tal na maior parte das vezes, tornar a minha antisocialidade em atitudes "agressivas") - espero a breve trexo conseguir superar este meu handicap...
A preocupação assalta-me cada dia mais violentamente, tenho eu perfil para a Arqueologia (ser arqueólogo)?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Impressões [3] - momento(s)
Há muito que não te vejo, estás longe física e emocionalmente, provavelmente é algo que não tornará a acontecer...
Tenho saudades tuas... que se passou para chegar a isto? Porque nunca fui eu capaz de te confrontar directamente com o que sentia, ou sinto? Porque hesitei sempre? Porque te afastei e deixei que me manuseasses e desconsiderasses ao teu bel-prazer?
Sinto falta de ti (de nós!), dos nossos momentos: jantares - dos sofisticados e dos frugais, dos auxílios que nos prestamos mutuamente, do cinema... daquela noite de fado inesperada e quase mágica... da musica!
Estás longe e provavelmente nunca virás a ler esta confissão!
E se a leres perceberás que é para Ti que a escrevo?
Perceberás o mal que estou e o mal que me causas(te)? Perceberás o quanto te quero, mesmo do meu jeito desajeitado e inconsequente?
Sinto-me órfão daquilo que foi, daquilo que poderia ter sido e de um devir que uma leve esperança alimenta em mim...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
"Muda de Viva"
musica: Muda de Vida
interprete: Humanos*
álbum: Humanos, 2004
"Muda de vida se tu não viveres satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar...
(...)"
Desejo a todos uma boa 1ª semana de Fevereiro.
Abraços!
domingo, 4 de janeiro de 2009
lucidez e letargia
sábado, 27 de dezembro de 2008
(o) pensamento
Digamos agora, por respeito à verdade, que o seu pensar não foi assim tão claro, o pensamento, afinal de contas, já por outros, ou o mesmo, foi dito, é como um grosso novelo de fio enrolado sobre si mesmo, frouxo nuns pontos, noutros apertado até à sufocação e ao estrangulamento, está aqui, dentro da cabeça, mas é impossível conhecer-lhe a extensão toda, seria preciso desenrolá-lo, estendê-lo, e finalmente medi-lo, mas isto, por mais que se intente, ou finja intentar, parece que não o pode fazer o próprio sem ajudas, alguém tem de vir um dia dizer por onde se deve cortar o cordão que liga o homem ao seu umbigo, atar o pensamento à sua causa.
(...)"
José Saramago
Ed. Caminho
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
natal...
E pronto, cá esta de novo o reboliço que é o Natal... e, por muito que o tente negar (não gosto muito desta quadra) não me passa indiferente. Portanto, e correndo o risco de cair em alguns lugares-comuns, cá vai o que deveria ser em meu entender esta quadra e os meus desejos para a mesma.O Natal não é já, ou não deve se-lo (apenas), uma celebração e acto religioso-católico, pois, tal como eu, muitos não crentes vivem e são actuantes nesta quadra. Deve ser uma época de partilha(s) entre iguais, uma experiência sensual, dos sentidos [ai a gula!] e dos sentimentos, onde os excessos (de carga positiva) se devem permitir, incentivar e praticar. Um período em que não pode haver pudor em procurar aquele/a(s) de quem se sente vontade de ouvir a voz e que constantemente se hesita procurar com o receio de incomodar ou por falta de tempo [a mais descarada das desculpas... que tantas vezes também aplico!]...
O Natal é uma criança com a felicidade de um regalo estampada com sinceridade no rosto. É dar... e receber...
FELIZ NATAL!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Merry Christmas!
Kola Christougenna!
Buon Natale!
Frohe Weihnachten!
...
E agora vou contribuir [se bem que modestamente] para o Natal...
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
subterrâneo...
Fiódor Dostoiéski
terça-feira, 11 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
"Pela Linha"
Ω percorria caminhando despreocupadamente aquele ponte, metálica e sólida, uma vez mais, era afinal, segundo parece, uma rotina diária dos seus finais de tarde de Outono no regresso ao lar… no entanto, desta vez, a sua despreocupação era apenas aparente e a noite há muito já havia descido sobre aquele vale. Ω estava embriagado [depois de uma devida análise tal era claríssimo!], de álcool após um dia inteiro a emborcar, só, copo atrás de copo, aguardente (bebida de que nem gostava) e da imagem de β a quem magoava invariavelmente, vezes sem conta, arrependendo-se no imediato… seria mau!?
Texto, fotografias e edição: Mauro Correia, Foz Côa, Outubro de 2008
sábado, 25 de outubro de 2008
Paisagens Fechadas (Portugal encoberto)

"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."
poema por Fernando Pessoa, em: A Mensagem (TERCEIRA PARTE / O ENCOBERTO - III, QUINTO / NEVOEIRO )
Fotografias e edição por Mauro Correia
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Embriaga-te de...
em: Poemas em Prosa
...alguém?
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.
Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.
É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?"
poema por Fernando Pessoa



