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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

a morte de um "espaço"

... pois, que num destes dias ainda regresso para um conto aqui contar...

domingo, 20 de março de 2011

ao ritmo dos tempos (século XXI)

Esta noite apaixonei-me, com uma intensidade tal que teria forças para erguer, sozinho, uma cidade.
Esta noite o objecto de desejo ignorou-me, minto, rejeitou-me.
Esta noite senti-me o mais frágil dos seres.
Esta madrugada quis morrer, estar não faz sentido, a rejeição e a indiferença corroem e o desejo é não correspondido.
Esta madrugada não tive coragem de morrer, refugiei-me na solidão e numa garrafa de bom vinho.
Esta madrugada sofri.
Esta manha desejo esquecer, mas o desejo é ainda muito intenso.
Esta manha continuo sozinho, é o único modo que me sinto capaz de ser.
Esta manha vi pela janela apaixonei-me e esqueci tudo o resto.

sábado, 12 de junho de 2010

abandono e repouso

Aquele que deve ter sido o repouso de muitos ao longo do tempo abandonado num prado a contemplar a pacifica existencia da vida...

Foto e edição: Mauro Correia, Foz do Sabor, 19 Maio 2010

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ruína

Uma questão que me assalta: que é (um)a ruína?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

mundo a passar e a vida a correr…

Não lugar, não existir, ver o mundo a passar e a vida a correr…

Debruçado sobre um qualquer alpendre de um espaço público, numa qualquer esplanada de um qualquer sitio, assistir a existência de-cima que nem um voyeur… sedento de ser-parte…

E assim decorre à frente dos olhos a rotina e o lazer… a mãe que (per)segue em passo acelerado a criança que foge e se esgueira por entre as dezenas de desconhecidos, o jovem que tenta, disfarçadamente, seduzir e dar a mão à rapariga de cabelos escuros que o acompanha, a mulher, bela, que olha no infinito com uma expressão perdida e introspectiva e que é observada, de soslaio e com desejo, pela maior parte dos indivíduos do sexo masculino… o carteirista, ou pelo menos isso aparenta ser, que procura sorrateira e despercebidamente sacar algo dos múltiplos e coloridos sacos de compras da mulher de aspecto doente… o carinho entre um casal de idosos, as mulheres da limpeza com o seu uniforme inconfundível, o segurança que nada observa e a atitude hediondo de dois indivíduos que julgam e riem abertamente de tudo e todos, pelos seus limitados critérios, decadentes, débeis e grotescos… e mais, muito mais acontece… tudo fervilha de ritmo… e ninguém atenta a nada que não si mesmo…

Criatura estranha, esta que observa, sem interferir, no entanto nada garantindo que não esta também a ser observada ou no mínimo pressentida… mas que quer afinal? Fazer parte deste viver-para-dentro-de-si-mesmo que observa e regista? Existir… ser… viver...

Acorda(r)!

Mauro (Outubro de 2009)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

NoiteBranca, a 63ª [handicap e/ou assalto de dúvida]

Faz hoje precisamente três meses e dez dias que me encontro a trabalhar naquilo para o que andei durante 4 anos a estudar na faculdade - Arqueologia... terminaram as escavações de Verão e em regime de voluntariado, terminaram os trabalhos pontuais, agora sou oficialmente um trabalhador (a recibos-verdes, mas ainda assim...).
Este inicio tem sido um misto de dificuldades e benesses. A benesse, o ter enviado currículos em finais de Dezembro (2008) e ter sido contactado para colaborar em trabalhos logo no dia 2 de Janeiro e desde então continuo a colaborar com a mesma empresa (Dryas Arqueologia lda.) sem ter tido ainda a necessidade de voltar a procurar (algo que colegas meus continuam ainda a fazer, já desesperadamente, sem que nada lhes surja!) ou ficado "desempregado". Estarão a gostar do meu trabalho? Espero que sim, pois aqui tenho aprendido bastante (os metodos de trabalho e de registo são louváveis no contexto real daquilo que é a arqueologia de emergência em Portugal) e o ambiente (as possoas) é bom... mas, há sempre um mas para mim, tenho estado a trabalhar (trabalho muitas das vezes duro e à mercê do clima) em locais no minimo a 500 kms de casa e sinto, a cada dia que passa, que não tenho perfil para uma vida nómada, sou um tipo de hábitos e que necessita de "almofadas" para não entrar em atitudes separatistas de isolamento, em depressão (posso mesmo, sem me dar conta de tal na maior parte das vezes, tornar a minha antisocialidade em atitudes "agressivas") - espero a breve trexo conseguir superar este meu handicap...

A preocupação assalta-me cada dia mais violentamente, tenho eu perfil para a Arqueologia (ser arqueólogo)?

A todos desejo, mais uma vez, uma noite não "branca"!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Impressões [3] - momento(s)

O sono foi agitado, há muito tempo que não pensava nisto, na saudade de algo que nunca o foi, saudades de Ti... do teu olhar, do teu sorriso, da tua voz, dos nossos diálogos e silêncios... do teu jeito de ser: frágil e cruel, egoísta e carinhosa...

Há muito que não te vejo, estás longe física e emocionalmente, provavelmente é algo que não tornará a acontecer...
Tenho saudades tuas... que se passou para chegar a isto? Porque nunca fui eu capaz de te confrontar directamente com o que sentia, ou sinto? Porque hesitei sempre? Porque te afastei e deixei que me manuseasses e desconsiderasses ao teu bel-prazer?

Sinto falta de ti (de nós!), dos nossos momentos: jantares - dos sofisticados e dos frugais, dos auxílios que nos prestamos mutuamente, do cinema... daquela noite de fado inesperada e quase mágica... da musica!

Estás longe e provavelmente nunca virás a ler esta confissão!
E se a leres perceberás que é para Ti que a escrevo?
Perceberás o mal que estou e o mal que me causas(te)? Perceberás o quanto te quero, mesmo do meu jeito desajeitado e inconsequente?

Sinto-me órfão daquilo que foi, daquilo que poderia ter sido e de um devir que uma leve esperança alimenta em mim...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

...

TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC, tic-tac, tic-tac, tic-tac...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Muda de Viva"

Cá vai a habitual sugestão musical da semana:

musica: Muda de Vida
interprete: Humanos*
álbum: Humanos, 2004

"Muda de vida se tu não viveres satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar...

(...)"

Peço desculpas aqueles que ainda passam nas NoitesBrancas e que têm encontrado pouco mais que as sugestões musicais, o momento da vida assim o tem obrigado [é como se não conseguisse algo mais do que retirar silencio da ilha deserta e minúscula que é o meu ser], mas tentarei mudar a atitude em breve!

Desejo a todos uma boa 1ª semana de Fevereiro.
Abraços!

*sitio oficial: http://humanos.sapo.pt/

domingo, 4 de janeiro de 2009

lucidez e letargia

Turva-se-me a lucidez... uma longa jornada se aproxima... as próximas noitesbrancas terão lugar por terras alentejanas (Serpa)... aquilo que aparenta ser uma mudança, é-o apenas no cenário, o resto é sempre o mesmo ciclo vicioso no caminho à letargia... um eterno retorno...

sábado, 27 de dezembro de 2008

(o) pensamento

"(...)
Digamos agora, por respeito à verdade, que o seu pensar não foi assim tão claro, o pensamento, afinal de contas, já por outros, ou o mesmo, foi dito, é como um grosso novelo de fio enrolado sobre si mesmo, frouxo nuns pontos, noutros apertado até à sufocação e ao estrangulamento, está aqui, dentro da cabeça, mas é impossível conhecer-lhe a extensão toda, seria preciso desenrolá-lo, estendê-lo, e finalmente medi-lo, mas isto, por mais que se intente, ou finja intentar, parece que não o pode fazer o próprio sem ajudas, alguém tem de vir um dia dizer por onde se deve cortar o cordão que liga o homem ao seu umbigo, atar o pensamento à sua causa.
(...)"

em: O Evangelho segundo Jesus Cristo (pp: 37 e 38)
José Saramago
Ed. Caminho

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

natal...

E pronto, cá esta de novo o reboliço que é o Natal... e, por muito que o tente negar (não gosto muito desta quadra) não me passa indiferente. Portanto, e correndo o risco de cair em alguns lugares-comuns, cá vai o que deveria ser em meu entender esta quadra e os meus desejos para a mesma.


O Natal não é já, ou não deve se-lo (apenas), uma celebração e acto religioso-católico, pois, tal como eu, muitos não crentes vivem e são actuantes nesta quadra. Deve ser uma época de partilha(s) entre iguais, uma experiência sensual, dos sentidos [ai a gula!] e dos sentimentos, onde os excessos (de carga positiva) se devem permitir, incentivar e praticar. Um período em que não pode haver pudor em procurar aquele/a(s) de quem se sente vontade de ouvir a voz e que constantemente se hesita procurar com o receio de incomodar ou por falta de tempo [a mais descarada das desculpas... que tantas vezes também aplico!]...



O Natal é uma criança com a felicidade de um regalo estampada com sinceridade no rosto. É dar... e receber...





Resta-me desejar aos que visitam este espaço [e a toda a gente que nunca lerá isto] um:

FELIZ NATAL!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Merry Christmas!
Kola Christougenna!
Buon Natale!
Frohe Weihnachten!
...

E agora vou contribuir [se bem que modestamente] para o Natal...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

subterrâneo...

"Sou um homem doente... Sou um homem mau. Um homem repulsivo, é isso que eu sou. Acho que tenho alguma coisa no fígado. De qualquer modo, não entendo que raio de doença é a minha, não sei ao certo que me faz sofrer. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite a medicina e os doutores. Além do mais, é intolerável como sou supersticioso; enfim, o suficiente para respeitar a medicina. (...)"

Em: Cadernos do Subterrâneo;
Fiódor Dostoiéski

terça-feira, 11 de novembro de 2008

...vida

Uma réstia de vida e cor que tentam resistir a um Inverno que se aproxima galopante...

(fotografia e eidção: Mauro Correia, Almendra, Foz Côa, Novembro de 2008)

domingo, 9 de novembro de 2008

"Pela Linha"


Ω percorria caminhando despreocupadamente aquele ponte, metálica e sólida, uma vez mais, era afinal, segundo parece, uma rotina diária dos seus finais de tarde de Outono no regresso ao lar… no entanto, desta vez, a sua despreocupação era apenas aparente e a noite há muito já havia descido sobre aquele vale. Ω estava embriagado [depois de uma devida análise tal era claríssimo!], de álcool após um dia inteiro a emborcar, só, copo atrás de copo, aguardente (bebida de que nem gostava) e da imagem de β a quem magoava invariavelmente, vezes sem conta, arrependendo-se no imediato… seria mau!?


A ideia de que β algum dia não lhe perdoasse era como ter agulhas a serem-lhe introduzidas no espaço entre os dedos e as unhas, sua vida sem β não faria sentido… mas Ω era mau, e β… β não havia de suportar para sempre o desrespeito e os maus tratos de Ω (nem este o queria, gostaria de mudar!), por muito que de Ω gostasse… continuava a caminhar...


A Ω assaltava agora outra inquietação: seria louco?! Só assim se poderia explicar o seu comportamento, o seu refúgio na embriaguez e solidão… Ω pára, a meio da ponte, da linha, a observar as travessas em madeira, já podres, e os carris metálicos , já enferrujados, daquela bela travessia, por onde há já 10 anos não passam locomotivas a caminho da Vila de P…, através das travessas consegue ainda, graças à noite límpa e fria de luar que se faz sentir, ver a água, que parece parada, daquela curso sobre o qual se ergue a travessia… sente-se impelido a saltar, puxado por uma força e uma vontade que não são as suas… será a consciência de que não conseguirá mudar?! Que só assim evitara a ausência, ainda que futura, de β na sua vida?!


Ω não resiste ao apelo, salta… Arrepende-se do acto imediatamente! Quer voltar atrás! Cai desamparado em direcção a um rochedo que se eleva do leito do rio! Tarde demais…


Ω acorda embebido em suores frios, felizmente apenas um pesadelo (delírios?) provocado, muito provavelmente, pelo álcool! Desconhece a cama onde se encontra… não é a primeira que tal lhe acontece, já é um hábito. Agora há que regressar a sua casa com uma boa desculpa para dar a β… Esta noite não regressa pela ponte, superstição talvez, pelo que realiza um caminho mais longo que o habitual… que importa isso, já é hora tardia e a desculpa já esta, mais uma vez, estudada: problemas de ultima hora no trabalho, um laivo de inspiração e criatividade momentâneos e telemóvel esquecido (β acredita sempre!).


Ω ao chegar numero 12 da rua M…, entra discretamente, como sempre faz, mas, é rapidamente assaltado por uma visão macabra… no amplo hall de entrada de sua casa depara-se com β e mais umas quantas caras suas conhecidas e intimas em redor de uma mortalha ladeada de grandes sírios… é o seu corpo que ali se encontra jazente! Tentou falar a β, não conseguia…


“Artista plástico Ω, embriagado, comete suicídio na antiga ponte ferroviária da Vila de ....”


Foi o que pode ler no jornal local na manha seguinte. Irónico, pensou Ω…

Texto, fotografias e edição: Mauro Correia, Foz Côa, Outubro de 2008

sábado, 25 de outubro de 2008

Paisagens Fechadas (Portugal encoberto)




"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

poema por Fernando Pessoa, em: A Mensagem (TERCEIRA PARTE / O ENCOBERTO - III, QUINTO / NEVOEIRO )

Fotografias e edição por Mauro Correia

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Molde de Luz


[fotografia(s) e edição: Mauro Correia]

sábado, 20 de setembro de 2008

Sobe a escada...

(fotografia e edição por: Mauro Correia)

... até onde (puderes) quiseres!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Embriaga-te de...

Se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que passou, a tudo o que murmura, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: “São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Com vinho, com Poesia, ou com virtude”.

Charles Baudelaire
em: Poemas em Prosa


...alguém?

(fotografia e edição: Mauro Correia)

"A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.

Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.

É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?"

"A Miséria do Meu Ser",
poema por Fernando Pessoa