Esta noite apaixonei-me, com uma intensidade tal que teria forças para erguer, sozinho, uma cidade.
Esta noite o objecto de desejo ignorou-me, minto, rejeitou-me.
Esta noite senti-me o mais frágil dos seres.
Esta madrugada quis morrer, estar não faz sentido, a rejeição e a indiferença corroem e o desejo é não correspondido.
Esta madrugada não tive coragem de morrer, refugiei-me na solidão e numa garrafa de bom vinho.
Esta madrugada sofri.
Esta manha desejo esquecer, mas o desejo é ainda muito intenso.
Esta manha continuo sozinho, é o único modo que me sinto capaz de ser.
Esta manha vi pela janela apaixonei-me e esqueci tudo o resto.
"Claro que essas pessoas não me conhecem, mas eu sim. Conheço-as intimamente; quase lhes decorei as fisionomias - e regozijo-me quando estão alegres, angustio-me quando as vejo tristes. (...)" em: Noites Brancas, F. Dostoievski
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domingo, 20 de março de 2011
sábado, 22 de maio de 2010
Fim de dia para relaxar...
domingo, 28 de março de 2010
fozcoenses
Depois de um longo período de interregno, decidi tentar reabilitar as NoitesBrancas...


(fotografias e edição: Mauro Correia, 28 de Março de 2010, Vila Nova de Foz Côa)
Os "temas":
"lá fora...",
"mais perto",
"sociedade",
impressões
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Impressões [7]
Cheguei faz pouco tempo das urgências do hospital de Lagos, onde confirmei ter uma entorse no tornozelo direito devido a um "mau jeito" que dei ontem... agora é repouso e esperar estar em condições para trabalhar 2ª feira.
Enquanto esperava para ser atendido - e a espera foi longa como é costume - entrou na sala das urgências um homem, idoso, em cadeira de rodas - guiado pela sua atenciosa e carinhosa esposa - cujo estado em pouco ou nada diferenciava de um cadáver, de um vegetal - um morto-vivo - onde apenas fui capaz de perceber a existência de vida através dos olhos... [esta realidade deixou-me enjoado, senti pena, senti-me incapaz perante a vida, a realidade do momento]... não consegui deixar de imaginar-me preso num corpo que não funcionasse, ou que tivesse deixado de o fazer, com a consciência e a lucidez própria desse (hipotético) estado... é a ideia mais assustadora que me pode surgir (e surge-me de tempos a tempos!). Gostaria que me terminassem com o calvário....
Afinal quão (des)humana é ou não a morte (assistida)?
Enquanto esperava para ser atendido - e a espera foi longa como é costume - entrou na sala das urgências um homem, idoso, em cadeira de rodas - guiado pela sua atenciosa e carinhosa esposa - cujo estado em pouco ou nada diferenciava de um cadáver, de um vegetal - um morto-vivo - onde apenas fui capaz de perceber a existência de vida através dos olhos... [esta realidade deixou-me enjoado, senti pena, senti-me incapaz perante a vida, a realidade do momento]... não consegui deixar de imaginar-me preso num corpo que não funcionasse, ou que tivesse deixado de o fazer, com a consciência e a lucidez própria desse (hipotético) estado... é a ideia mais assustadora que me pode surgir (e surge-me de tempos a tempos!). Gostaria que me terminassem com o calvário....
Afinal quão (des)humana é ou não a morte (assistida)?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
NoiteBranca, a 63ª [handicap e/ou assalto de dúvida]
Faz hoje precisamente três meses e dez dias que me encontro a trabalhar naquilo para o que andei durante 4 anos a estudar na faculdade - Arqueologia... terminaram as escavações de Verão e em regime de voluntariado, terminaram os trabalhos pontuais, agora sou oficialmente um trabalhador (a recibos-verdes, mas ainda assim...).
Este inicio tem sido um misto de dificuldades e benesses. A benesse, o ter enviado currículos em finais de Dezembro (2008) e ter sido contactado para colaborar em trabalhos logo no dia 2 de Janeiro e desde então continuo a colaborar com a mesma empresa (Dryas Arqueologia lda.) sem ter tido ainda a necessidade de voltar a procurar (algo que colegas meus continuam ainda a fazer, já desesperadamente, sem que nada lhes surja!) ou ficado "desempregado". Estarão a gostar do meu trabalho? Espero que sim, pois aqui tenho aprendido bastante (os metodos de trabalho e de registo são louváveis no contexto real daquilo que é a arqueologia de emergência em Portugal) e o ambiente (as possoas) é bom... mas, há sempre um mas para mim, tenho estado a trabalhar (trabalho muitas das vezes duro e à mercê do clima) em locais no minimo a 500 kms de casa e sinto, a cada dia que passa, que não tenho perfil para uma vida nómada, sou um tipo de hábitos e que necessita de "almofadas" para não entrar em atitudes separatistas de isolamento, em depressão (posso mesmo, sem me dar conta de tal na maior parte das vezes, tornar a minha antisocialidade em atitudes "agressivas") - espero a breve trexo conseguir superar este meu handicap...
A preocupação assalta-me cada dia mais violentamente, tenho eu perfil para a Arqueologia (ser arqueólogo)?
Este inicio tem sido um misto de dificuldades e benesses. A benesse, o ter enviado currículos em finais de Dezembro (2008) e ter sido contactado para colaborar em trabalhos logo no dia 2 de Janeiro e desde então continuo a colaborar com a mesma empresa (Dryas Arqueologia lda.) sem ter tido ainda a necessidade de voltar a procurar (algo que colegas meus continuam ainda a fazer, já desesperadamente, sem que nada lhes surja!) ou ficado "desempregado". Estarão a gostar do meu trabalho? Espero que sim, pois aqui tenho aprendido bastante (os metodos de trabalho e de registo são louváveis no contexto real daquilo que é a arqueologia de emergência em Portugal) e o ambiente (as possoas) é bom... mas, há sempre um mas para mim, tenho estado a trabalhar (trabalho muitas das vezes duro e à mercê do clima) em locais no minimo a 500 kms de casa e sinto, a cada dia que passa, que não tenho perfil para uma vida nómada, sou um tipo de hábitos e que necessita de "almofadas" para não entrar em atitudes separatistas de isolamento, em depressão (posso mesmo, sem me dar conta de tal na maior parte das vezes, tornar a minha antisocialidade em atitudes "agressivas") - espero a breve trexo conseguir superar este meu handicap...
A preocupação assalta-me cada dia mais violentamente, tenho eu perfil para a Arqueologia (ser arqueólogo)?
A todos desejo, mais uma vez, uma noite não "branca"!
Os "temas":
"Arqueologia",
"delirios",
as noites,
impressões
Impressões [5 - Ponta da Piedade]



A Ponta da Piedade em Lagos (Algarve, Portugal) parece um daqueles postais que vemos a promover o turismo do/no Algarve...
E é nesta cidade que estou a trabalhar numa escavação arqueológica (PAVd) nas ruínas de uma Gafaria (hospital/asilo para leprosos) dos séculos VXI/XVII...
(fotos e edição por Mauro Correia, 28 de Março de 2009)
E é nesta cidade que estou a trabalhar numa escavação arqueológica (PAVd) nas ruínas de uma Gafaria (hospital/asilo para leprosos) dos séculos VXI/XVII...
(fotos e edição por Mauro Correia, 28 de Março de 2009)
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Impressões [4]
Aprende(r) com o tempo, com a idade... realidade insofismável! Mas porque me sinto a estagnar?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Impressões [3] - momento(s)
O sono foi agitado, há muito tempo que não pensava nisto, na saudade de algo que nunca o foi, saudades de Ti... do teu olhar, do teu sorriso, da tua voz, dos nossos diálogos e silêncios... do teu jeito de ser: frágil e cruel, egoísta e carinhosa...
Há muito que não te vejo, estás longe física e emocionalmente, provavelmente é algo que não tornará a acontecer...
Tenho saudades tuas... que se passou para chegar a isto? Porque nunca fui eu capaz de te confrontar directamente com o que sentia, ou sinto? Porque hesitei sempre? Porque te afastei e deixei que me manuseasses e desconsiderasses ao teu bel-prazer?
Sinto falta de ti (de nós!), dos nossos momentos: jantares - dos sofisticados e dos frugais, dos auxílios que nos prestamos mutuamente, do cinema... daquela noite de fado inesperada e quase mágica... da musica!
Estás longe e provavelmente nunca virás a ler esta confissão!
E se a leres perceberás que é para Ti que a escrevo?
Perceberás o mal que estou e o mal que me causas(te)? Perceberás o quanto te quero, mesmo do meu jeito desajeitado e inconsequente?
Sinto-me órfão daquilo que foi, daquilo que poderia ter sido e de um devir que uma leve esperança alimenta em mim...
Há muito que não te vejo, estás longe física e emocionalmente, provavelmente é algo que não tornará a acontecer...
Tenho saudades tuas... que se passou para chegar a isto? Porque nunca fui eu capaz de te confrontar directamente com o que sentia, ou sinto? Porque hesitei sempre? Porque te afastei e deixei que me manuseasses e desconsiderasses ao teu bel-prazer?
Sinto falta de ti (de nós!), dos nossos momentos: jantares - dos sofisticados e dos frugais, dos auxílios que nos prestamos mutuamente, do cinema... daquela noite de fado inesperada e quase mágica... da musica!
Estás longe e provavelmente nunca virás a ler esta confissão!
E se a leres perceberás que é para Ti que a escrevo?
Perceberás o mal que estou e o mal que me causas(te)? Perceberás o quanto te quero, mesmo do meu jeito desajeitado e inconsequente?
Sinto-me órfão daquilo que foi, daquilo que poderia ter sido e de um devir que uma leve esperança alimenta em mim...
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Impressões [2]
Reflectindo nas inúmeras vezes em que fico sem palavras, silencioso, corado, embasbacado, atrapalhado e com vontade de desaparecer, tenho a impressão, por vezes, que sou um Ser envergonhado e retraído, adverso à interacção e com pânico do estar em publico... algo que não se enquadra na imagem de confiante, arrogante, mal encarado e altivo que muitas vezes me atribuem... afinal quem/o que sou?
Um espelho? Que reflexo(s)?
fonte da imagem: http://www.edinformatics.com/inventions_inventors/Mirror.jpg
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
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