quarta-feira, 30 de abril de 2008

NoiteBranca, a 48ª

Serena vai esta noite de lua minguante... e a minha vem em tom confessional!

Li por aí algures [perdoe-me o autor por não lhe referir o nome, que desconheço] que: "O homem mais livre que conheci, vivia acorrentado ao coração de uma mulher", confesso-me [e espero não estar redondamente enganado], só serei um espírito realmente livre a partir do momento em que for acorrentado e ao mesmo tempo acorrentar o coração daquela mulher!

[Livre = Acorrentado!?]

Desejos de um bom feriado... e de noites não "brancas"!

"Passei toda a noite, sem dormir..."

"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."


"Água-Queda"

(foto e edição: Mauro Correia)

terça-feira, 29 de abril de 2008

NoiteBranca, a 47ª

Tenho vindo a reflectir nas inconstâncias dos humores [dos meus quiça]!

No modo como variamos ao longo do dia, como nos metamorfoseamos perante esta ou aquela pessoa, perante este ou aquele contexto...
Pergunto: são tudo isto atitudes conscientes, algo (pré)concebido para passar a mensagem e impressões que queremos quando queremos e a quem queremos? Ou por outro lado serão isto atitudes inconscientes, do instinto daquilo que é ser humano, algo intrínseco e incontrolável? Os vários “eus” pessoanos? Pode ser-se "verdadeiro/original/natural" alguma vez?

Sofro eu deste “mal”!? Enceno constante e ininterruptamente [até ao fim dos meus dias!] os vários ”eus” de que sou composto? Sem nunca ser então capaz de me (re)conhecer? Ou conheço-me de tal maneira profundamente que sou capaz de desdobrar-me em varias faces sem nunca perder a “razão” do meu “eu”?

Não sei qual das hipóteses a mim se pode aplicar [um pouco de ambas talvez?]...

Desejo-te [afinal sera que posso desejar algo no singular?] uma noite não “branca”!

"Sagrado"

(fotografia: Nuno Sousa / edição: Mauro Correia)

Capela Roqueira do Prazo/Freixo de Numão ao pôr do sol...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Flores"



“Flores que colho, ou deixo,

Vosso destino é o mesmo.

Via que sigo, chegas
Não sei aonde eu chego.

Nada somos que valha,
Somo-lo mais que em vão.”


«Flores», por: Ricardo Reis

"Chameleon"


musica: Chameleon
interprete: Herbie Hancock
álbum:
Head Hunters, 1973

terça-feira, 22 de abril de 2008

Envelhecer...

" (...) dois velhos, sentados no mesmo banco, calados, provavelmente conhecem-se há tanto tempo que já lhes falta de que falarem, talvez andem só a ver quem morre primeiro."

José Saramago: "O Ano da Morte de Ricardo Reis"


Esta frase reflecte a meu ver muito daquilo que é o processo de envelhecer na sociedade portuguesa dos finais do século XX e princípios do XXI... triste quadro este! De que modo devemos tratar os nosso "anciãos"?

(A) Mensagem

«Nevoeiro»


“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!”


segunda-feira, 21 de abril de 2008

"Ciúme"

«O Ciúme»

"Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
O carrancudo, o rábido (2) Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.

Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.

Pelas terríveis Fúrias (3) instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides (4) toucado.

Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea (5) trança."


por: Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage



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(1) Plutão, deus dos infernos.
(2) Raivoso, furioso
(3) Demónios do mundo infernal.
(4) Serpentes venenosas.
(5) De víbora
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"Little Black Angel"


musica: Little Black Angel
interprete: Death in June
álbum: Discriminate, 2000


Hoje sinto uma "aura negra" sobre mim... em mim...

domingo, 20 de abril de 2008

"Karma Police" - RadioHead



musica: Karma Police
interprete: Radiohead
álbum: OK Computer, 1997

http://www.radiohead.com/deadairspace/