Os olhares que não quer fazer e que desajeitadamente lhe deixa transparecer.
[...]
Os gestos que sabe não deveria tomar mas que o seu intimo o impele a realizar.
"Claro que essas pessoas não me conhecem, mas eu sim. Conheço-as intimamente; quase lhes decorei as fisionomias - e regozijo-me quando estão alegres, angustio-me quando as vejo tristes. (...)" em: Noites Brancas, F. Dostoievski
domingo, 6 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
A manha de Outono na aldeia: acordar, levantar, e sair
Após o levantar, ir à varanda e ver a névoa sobre o vale da Vilariça, o Sabor e Torre de Moncorvo
Minutos depois passa um dos rebanhos da aldeia rumo ao verde e fresco do pasto
Já a caminho do trabalho, os tons do Outuno, ainda que pintalgados pelos efeitos do incendio de Agosto, começam a tomar conta do vale e da serrania...,
Mauro Correia, Cabanas de Cima, Cabeça Boa, Torre de Moncorvo.
[31 Outubro de 2011]
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
acto e face de devoção
segunda-feira, 28 de março de 2011
pastiche (a solidão)
"(...) e topo os olhos da mulher de pé à minha frente, a apertar contra o peito o saco de plástico como quem embala devagar um filho doente; e entendi que a solidão, disse ele no automóvel deserto a caminho de Lisboa, não é a marca de baton num copo num escritório vazio iluminado pelas persianas que a amanhecem, nem a saída de um bar onde deixamos talvez, pendurada na cadeira, a pele de cobra da alegria postiça que se destina a disfarçar a inquietação e o medo: a solidão são as pessoas de pé à minha frente e os seus gestos de pássaros feridos, os seus gestos húmidos e meigos que parecem arrastar-se, como animais moribundos, à procura de uma ajuda impossível."
em: "O Conhecimento do Inferno" de António Lobo Antunes (pp.70)
em: "O Conhecimento do Inferno" de António Lobo Antunes (pp.70)
domingo, 20 de março de 2011
ao ritmo dos tempos (século XXI)
Esta noite apaixonei-me, com uma intensidade tal que teria forças para erguer, sozinho, uma cidade.
Esta noite o objecto de desejo ignorou-me, minto, rejeitou-me.
Esta noite senti-me o mais frágil dos seres.
Esta madrugada quis morrer, estar não faz sentido, a rejeição e a indiferença corroem e o desejo é não correspondido.
Esta madrugada não tive coragem de morrer, refugiei-me na solidão e numa garrafa de bom vinho.
Esta madrugada sofri.
Esta manha desejo esquecer, mas o desejo é ainda muito intenso.
Esta manha continuo sozinho, é o único modo que me sinto capaz de ser.
Esta manha vi pela janela apaixonei-me e esqueci tudo o resto.
Esta noite o objecto de desejo ignorou-me, minto, rejeitou-me.
Esta noite senti-me o mais frágil dos seres.
Esta madrugada quis morrer, estar não faz sentido, a rejeição e a indiferença corroem e o desejo é não correspondido.
Esta madrugada não tive coragem de morrer, refugiei-me na solidão e numa garrafa de bom vinho.
Esta madrugada sofri.
Esta manha desejo esquecer, mas o desejo é ainda muito intenso.
Esta manha continuo sozinho, é o único modo que me sinto capaz de ser.
Esta manha vi pela janela apaixonei-me e esqueci tudo o resto.
sábado, 4 de setembro de 2010
metades que se completam...
“A cidade de Sofrônia é composta de duas meias cidades. Na primeira, encontra-se a grande montanha-russa de ladeiras vertiginosas, o carrossel de raios formados por correntes, a roda-gigante com cabinas giratórias, o globo da morte com motociclistas de cabeça para baixo, a cúpula do circo com os trapézios amarrados no meio. A segunda meia cidade é de pedra e mármore e cimento, com o banco, as fábricas, os palácios, o matadouro, a escola e todo o resto. Uma das meias cidades é fixa, a outra é provisória e, quando termina a sua temporada, é desparafusada, desmontada e levada embora, transferida para os terrenos baldios de outra meia cidade.
Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o monumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia dos tiro-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retome e a vida recomece.”
Por: Italo Calvino em "As Cidades Invisíveis"
Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o monumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia dos tiro-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retome e a vida recomece.”
Por: Italo Calvino em "As Cidades Invisíveis"
sábado, 12 de junho de 2010
abandono e repouso
sexta-feira, 28 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Fim de dia para relaxar...
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