musica: Karma Police
interprete: Radiohead
álbum: OK Computer, 1997
http://www.radiohead.com/deadairspace/
"Claro que essas pessoas não me conhecem, mas eu sim. Conheço-as intimamente; quase lhes decorei as fisionomias - e regozijo-me quando estão alegres, angustio-me quando as vejo tristes. (...)" em: Noites Brancas, F. Dostoievski
Não, tem de ser um facto – pereci de verdade – estou finado por dentro, não nas entranhas, mas noutro qualquer dentro! Mas quando isto aconteceu? Terá sido mesmo há pouco? Ou, pelo contrário, será que é desde sempre este o meu estado interior?! E porque aconteceu? [Não o sei, ou talvez saiba e não to queira dizer... Mas provavelmente não o sei mesmo, quem o sabe? Não serás tu quem sabe?!]
[Mas que discurso é este o meu? Que vulgaridade...]
Desejos de uma noite não “branca”!
Sinto-me “usado” (abafado) neste preciso momento...
Em pleno sábado (se bem que de chuva torrencial) estou para aqui sozinho, enfiado na área da restauração de um centro comercial a comer um gelado tamanho XL (ok esta é a parte boa)! E qual a razão para tal (in)actividade? As senhoras da famelga decidiram que era dia de compras, e eu, claro esta, fui forçado a vir para fazer de motorista (triste sina)!
Odeio compras, execro centros comerciais (ou “shopings” como é “in” dizer-se hoje em dia). Estou para aqui a perder a minha tarde ligado à internet (este centro tem hi-fi de acesso gratuito), quando podia estar a fazer algo de (in)util – trabalhar ou outra coisa qualquer... Que faço eu no entanto... NADA! Ou melhor, observo as pessoas a passar todas com o seu ar alienado, apressado, tranquilo, umas com ar de “frete” (devem gostar tanto disto quanto eu), cheias de sacos, ou então observo conversas e namoros sentadas a uma mesa (ao lado), crianças a correr... vida, vejo vida (um pouco “inútil” pelo espaço onde decorre), já eu sinto-me como morto...
Bem, podia continuar a escrever e escrever, mas os portáteis têm um inconveniente, a duração limitada da bateria e a minha esta a terminar. Abraç...
"Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança."
'Esperança', Almada Negreiros
Desejo-te uma noite não "branca"!
"Dá-me mais quero mais
Desse vinho bem forte
Acre sol estival
De uma vida em desnorte
Já perdi o que tinha
A família a consorte
Para ser mero pó
Falta só vir a morte a morte
Tem calma irmão
Que a morte está aí para todos nós
E à parte as mães
Ninguém pode afirmar de viva voz
Que deixa cá algo
Quando a vida nos solta enfim os nós
Serve então mais um copo
Uma noite a beber
Não fará mal pior
E dará p’ra esquecer
O vazio que me ataca
Esta dor de viver
A feroz solidão
Que me faz q’rer morrer morrer
Tem calma irmão
Que a morte não precisa do teu sim
É coisa certa
Mais vale fazer da vida um festim
Canta antes dança
Que a vida não te surja mais ruim
Cantar eu?
Dançar dizes tu...
Serve então mais um copo para ajudar
Tem calma irmão
Que a morte não precisa ser assim
Canta e vais ver
Que a vida não te larga mais por fim"
ligações: http://www.mao-morta.org/noticias.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o_Morta#.C3.81lbuns